segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Vivas á CORRUPÇÃO

ACM Neto, o corregedor da Câmara, foi competentissimo na sua função: absolutamente nenhum dos 102 escândalos de corrupção do ano no congresso gerou alguma punição. Um ano que começou com José Sarney e esta terminando com o Michel Temer, na lista da turma que usa o cargo público para fins particulares. Afinal, não foi á toa a escolha da cria do velho, "bom" e saudoso ACM. Definitivamente uma fruta não cai longe do pé.

Todos estão de parabéns: o Arruda, o Prudente, o deputado do Castelo, a Mendes JR, o Agaciel, a Yeda e companhia ilimitada...

Mas parabenizo, especialmente, nesta minha última postagem do ano, o povo brasileiro, pela sua cordeirice, pela sua passividade e pela capacidade que temos, de receber a fatura e pagar a conta, sem dar um pio.

Até 2010, ano de eleição e de muito mais corrupção.

INFELIZMENTE!!!!!!!!!!!!!!!!!

José Antonio Martins Prestes

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Burríce eleitoral

Não costumo tratar de hipóteses nem de tendências, tenho um gosto declarado pelos fatos, definitivamente especular não é o meu forte, mas não resisti á tentação quando li duas notícias publicadas hoje, 07/12/09, no Uol Notícias, sobre a corrida presidencial de 2010.
A primeira da conta do fenômeno político chamado Luiz Inácio Lula da Silva, que no final de seu sétimo e penúltimo ano de mandato no governo federal, conta com mais de 83% de aprovação dos brasileiros, vamos combinar, isso não é pouca coisa. A segunda notícia é a possível aliança entre o PV da Senadora acreana Marina Silva, e o Psol, da vereadora alagoana Heloísa Helena, de arrasto estão aí o PSTU, o MST e o PCB.
O Psol e companhia limitada estão condicionando o seu precioso apoio ao PV, a uma oposição programática e sistemática aos programas neoliberais do PT, do PSDB e do Dem.
Apesar do respeito e da admiração que eu tenho pela ex-Senadora Heloísa Helena - os deputados federais e senadores do seu Psol, não são suficientes para lotar um fusca, nas últimas eleições municipais elegeram menos de 30 vereadores em todo Brasil, num universo de quase 57 mil legisladores municipais, sendo um deles, a própria HH, que se elegeu para a câmara municipal de Maceió - é uma burrice, fazer uma campanha eleitoral com o restritíssimo e desgastado discurso de que tá tudo errado e estamos caminhando para o caos.
Quanto á brilhante Senadora Marina Silva, ela teria que explicar por quê fez parte, durante tanto tanto tempo, de um governo tão ruim e danoso para o povo brasileiro. Não será fácil.
Vão aqui, não conselhos, mais alguns pedidos a essas duas grandes brasileiras, o primeiro á HH: _ sua presença no Senado Federal é fundamental para que essa instituição política recupere um mínimo de dignidade e honradez, portanto sua candidatura ao mesmo, não só é viável, como é fundamental pra todos nós. O segundo pedido é para a Senadora Marina Silva: _ o seu discurso de equilibrar o desenvolvimento econômico com o desenvolvimento social, ecologicamente sustentáveis, pode não levá-la á presidência da república, mas colocará o tema na ordem do dia e estabelecerá um contraponto importantíssimo ao unilateralismo do desenvolvimento econômico a qualquer custo, isso não só é oportuno e importante, mas é, extremamente urgente.
Por último, um pedido ás duas: separadas vocês podem se ajudar muito mais que unidas.

José Antonio Martins Prestes

domingo, 6 de dezembro de 2009

BRASILIA É UM MONUMENTO A CORRUPÇÃO.

Tenho insistido em meus escritos que a corrupção é uma regra na política brasileira, não sua excessão. Não preciso sequer de muito esforço para provar o que digo: um país com a oitava economia do planeta (caminhando para a quinta, segundo a ministra presidenciável Dilma Roussef), está em octagéssimo lugar no ranking da corrupção mundial segundo a ONU (lista dos menos aos mais corruptos). O fato envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, não é um fato isolado, nem a quadrilha liderada por ele começou a roubar ontem, vem, no mínimo, da fundação de Brasília, que aliás foi construída sob a égide da corrupção. BRASÍLIA É UM MONUMENTO A CORRUPÇÃO. É preciso lembrar que a corrupção não é um previlégio dos brasileiros, mas que no Brasil, existe um processo perigosissimo de institucionalização da corrupção.

José Antonio Martins Prestes

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

E o planeta, como está?

Bangladesh: um país de refugiados climáticos

Em Bangladesh, com sua elevada densidade populacional e pouca altitude, o aumento do nível do mar obrigará 20 milhões de pessoas a emigrar


"O mar já engoliu duas vezes minha casa", conta Jalal Ahmed, enquanto mostra sua terceira moradia, uma humilde choça de vime e bambu, sem água corrente nem eletricidade, a cuja borda as ondas já chegam. Esse homem de longa barba branca é testemunha de como a bela ilha onde ele viveu toda a sua vida, Kutubdia, no sudeste de Bangladesh, foi perdendo terreno para o oceano.

A ilha perdeu no último século 65% do que um dia foi seu território de 250 quilômetros quadrados. O problema é a rápida erosão causada pelo ciclones, as tempestades e inundações que se aceleraram recentemente, com grande probabilidade devido à mudança climática, como concordam os especialistas.

Jalal aponta com tristeza para o mar. Lá, a algumas centenas de metros da costa, ficava sua casa anterior, que foi arrebatada pela água há cerca de cinco anos. Mais além, a anterior, perdida há cerca de 15 anos, e muito, muito mais além estava a casa de seus avós, onde tinham terra para plantar.

Hoje essa terra é um bem extremamente escasso e cobiçado. Há tão pouca e com tanta gente que, como Jalal, os que antes eram agricultores se tornaram pescadores ou empregados das salinas. "Eu gostaria de poder ir embora, como vão os que podem: os que têm dinheiro", lamenta Jalal. Ele lembra que depois de um ciclone devastador em 1991 mais de 400 famílias deixaram Kutubdia de uma vez. Assim, mais de 60% de seus habitantes emigraram para cidades em terra firme.

Foram construídos diversos diques para tentar lutar contra o mar, mas foram inúteis. O atual dique, com partes de tijolo e outras de sacos de areia, está destruído em muitos trechos. Esta ilha é o exemplo mais palpável de que neste pobre país do sul da Ásia é onde as pessoas mais sofrerão os efeitos da mudança climática. As condições do país, um delta com mais de 200 canais e com pouca elevação, faz com que a qualquer aumento do nível do mar as pessoas percam suas propriedades ou seu meio de vida. A terra agrícola se saliniza, sobretudo no litoral superpovoado. A situação se agrava por serem mais de 160 milhões de habitantes e com uma das maiores densidades do mundo, cerca de 1.110 pessoas por quilômetro quadrado.

Assim, em Bangladesh 20 milhões de pessoas poderão ser desalojadas até 2050 pelos efeitos do aquecimento global, que deixaria 17% da superfície do país embaixo d'água, adverte o Banco Mundial. Outros especialistas afirmam que se as piores previsões se cumprirem até 35 milhões de bengaleses perderiam suas casas e suas formas de sustento. São chamados de "refugiados climáticos".

No entanto, Jalal e seus vizinhos sabem muito pouco, ou nada, sobre o aquecimento global. Não sabem por que o mar está subindo e ameaçando sua vida. Só conseguem dizer que "tudo está nas mãos de Alá". Mas nem todo mundo acredita nisso em Bangladesh. Os especialistas e o governo dizem claramente que o aquecimento foi criado pelos países ricos. Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo, só contribui com 0,1% das emissões de dióxido de carbono globais. Cada bengalês produz 0,3 tonelada por ano, diferentemente das 7,6 de um espanhol ou 20,6 de um americano.

"As pessoas que estão perdendo seus lares têm direito a ir para os países ricos." É o que afirma Atiq Rahman, diretor do Centro de Estudos Avançados de Bangladesh (BCAS na sigla em inglês). "Vou com vários milhões de desalojados para países como Holanda e EUA e lá exigiremos que lhes deem casa e trabalho: não por caridade, mas por merecida indenização", ele diz com absoluta seriedade.

Rahman é provavelmente a pessoa com maior peso na questão da mudança climática no país: assessor do governo, o representará na cúpula de Copenhague e também é membro do IPCC. Em 2008 ele ganhou o prêmio ambiental Campeões da Terra da ONU. Na cúpula, Bangladesh pedirá que os países ricos reduzam suas emissões e que forneçam fundos para compensar os efeitos que já está sofrendo, como um dos países mais vulneráveis.

Além dos refugiados, a mudança climática está trazendo outros problemas para Bangladesh. Os ciclones são mais frequentes e mais devastadores, indica Rezaul Karim Chowdhury, diretor da ONG para o meio ambiente COAST. Um relatório do Programa da ONU para o Desenvolvimento indicou que 60% das 250 mil mortes por ciclones no mundo entre 1980 e 2000 foram em Bangladesh. E para os afetados é difícil recuperar-se: ainda hoje continuam 35 mil desalojados pelo Aila, que atingiu as costas do país em maio.

As doenças aumentaram: mais diarréia, mais malária e chegou a dengue, que não existia há 15 anos. Também devido às chuvas mais instáveis e à salinização do terreno, os alimentos serão cada vez mais escassos e caros, indica Chouwdhury. "Os mais afetados são os mais pobres dos pobres: os que têm as casas mais precárias, os que não têm economias para sobreviver e têm poucas formas de evitar um desastre", diz o encarregado de política da Oxfam Bangladesh, Ziaul Hoque Mukta.

Assim, as grandes cidades estão recebendo milhares de refugiados. Por exemplo, na capital do país, Dhaka, a metade da população vive em favelas. Muitos deles são famílias de desalojados com poucos recursos para levar seus filhos à escola e com trabalhos precários, como conduzir bicicletas-táxis. Jalal diz que em breve, quando sua terceira choupana voltar a ser submersa, construirá outra com bambu e plásticos em um terreno mais elevado no interior da ilha. E assim cada vez que a água o alcançar. Mas em Kutubdia não resta muito espaço. O que fará quando não puder se mudar? "Finalmente terei de ir para a terra firme e deixar esta ilha onde nasci", lamenta.


Ana Gabriela Rojas de El País
Em Kutubdia, Bangladesh


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Transcrito do UOL Notícias de 03/12/2009

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Mãos ao alto!!!!!

Infelizmente o caso do governador José Roberto Arruda do Distrito Federal não é uma exceção, é uma regra na política brasileira. Eu diria até que é uma regra inquebrável, que ocorre em todos os estados, em todos os municípios (dos menores aos maiores), e também e principalmente, no governo federal. Obviamente que as dimensões não são as mesmas, o número de envolvidos varia e as quantias são proporcionais e circunstanciais.
As campanhas políticas no Brasil são caríssimas, os votos que fazem a diferença têm que ser literalmente comprados, isso custa muito dinheiro e alguém tem que pagar a conta, o esquema é simples: os empresários envolvidos financiam os candidatos, que depois de eleitos direcionam os contratos públicos SUPERFATURADOS para os seus financiadores.
Para o esquema funcionar, tem que haver o envolvimento tanto dos candidatos ao poder executivo, (que têm efetivamente a chave do cofre público), quanto o envolvimento dos principais candidatos ao legislativo, que depois de eleitos, loteiam as secretarias de governo ou os ministérios, colocando nelas, pessoas de sua confiança. De suas cadeiras nos legislativos, esses políticos dão sustentação jurídica e política ao esquema. Em alguns casos mais sofisticados, membros dos tribunais de conta e do poder judiciário também são envolvidos.
A nossa lei de licitações e contratos, que na sua essência e na sua intenção é muito boa (intenção daqueles que a redigiram), permite que os esquemas sejam montados com muita facilidade.
Vejamos um caso concreto:
Numa das maiores cidade do Brasil, 13 empresas subsidiárias das maiores empreiteiras do país controlam o recolhimento, o transporte e a destinação de todo lixo residencial, comercial, industrial e hospitalar, de mais de 11 milhões de habitantes. São contratos milionários. Essas empresas reunidas em uma associação carinhosamente chamada de treze irmãs, financiam todos, eu disse todos, os candidatos a prefeito com o mínimo de chance de se eleger; bem como as campanhas dos principais candidatos a vereador, especialmente daqueles com chances reais de se re-eleger (nesse caso são financiados preferencialmente os candidatos que já fazem parte do esquema, ou um ou outro, com ótimas chances de se eleger, e que se dispõe a se vender).
Nas concorrências públicas para se definir que empresa vai trabalhar numa determinada área da cidade, as treze irmãs se reúnem e definem quem vai ganhar o contrato e quais serão os valores praticados. Como a legislação obriga a concorrência aberta para qualquer empresa do Brasil, as empresas que não fazem parte do esquema não conseguem ser “aprovadas” nos critérios técnicos, jurídicos, etc., que são controlados pelos políticos.
Caso alguma empresa consiga furar o bloqueio inicial, as treze irmãs se reúnem, escolhem uma para fazer o trabalho, até de graça se for o caso, de forma que o esquema continue em suas mãos.
Quem resolver bater de frente nessa estrutura, simplesmente morre, desaparece. Existem pessoas especializadas neste tipo de serviço.
Esse esquema se repete nas concessões, nas obras, nos fornecimentos de produtos e serviços, etc.
Como temos eleições a cada dois anos, os esquemas funcionam continuamente, independentemente do período, é claro que, nos chamados períodos eleitorais, ele se intensifica e até se escancara, de forma que alguns casos acabam vazando para a mídia.
Nosso sistema político, uma espécie única de presidencialismo de coalizão, associado a uma legislação eleitoral atrasada e "ineficiente", se não são as causas, criam as condições ideais para que esse esquema de corrupção se reproduza, na união, nos municípios, e em todos os estados e poderes públicos.
Como são os políticos, os responsáveis pelas mudanças nas leis que regulamentam o sistema político, as leis eleitorais e a própria lei de licitações e contratos, entre todas as outras, somos todos reféns dessa corrupção endêmica.

A sociedade civil organizada e mobilizada é a única força capaz de fazer frente a essa situação, vivemos, infelizmente, uma espécie de paralisia social e moral, nossa reação tem sido, no máximo, uma indignação individual e passiva, sem sequer tirar a bunda do sofá.



José Antonio Martins Prestes

Os muros de Berlim (em tempo)

Caros colegas das ciências sociais, confesso que fiquei um pouco
decepcionado hoje, dia 09/11/2009, quando ninguém lembrou em sala de
aula, dos vinte anos da “queda” do famigerado muro de Berlim, coloquei
a palavra queda entre aspas por que talvez não seja a mais
apropriada, uma vez que o muro foi literalmente derrubado pelo povo
das duas Alemanhas - diante das câmaras de televisão - que
transformaram o ato em um grande espetáculo.
Gostaria, antes de falar da queda ou da derrubada, falar da sua
construção como uma obra da engenharia política que se construiu no
pós-guerra, originário do terrorismo da guerra-fria e seus
significados.
Os países aliados, vencedores da 2ª guerra, capitaneados pelos Estados
Unidos, Rússia, Inglaterra e França, decidiram dividir o mundo em dois
blocos, duas ideologias, duas correntes filosóficas, dois sistemas
políticos, e usaram o medo do conflito nuclear para justificar suas
atrocidades. O demônio estava estabelecido, o medo era geral, cabia
então aos Estados Unidos é á URSS, tutelar e controlar o mundo do
jeito que mais lhes aprouvessem.
No lado comunista, vários milhões de pessoas foram perseguidas,
condenadas sem direito a defesa e mortas em nome da construção de uma
sociedade mais justa e igualitária, no lado capitalista, vários
milhões de pessoas foram também perseguidas, presas, torturadas,
condenadas á miserabilidade, á fome e ao desprezo, em nome da
liberdade, da igualdade, da fraternidade e da conservação
inquestionável da propriedade privada. O mesmo muro que dividiu
irmãos, pais e filhos, amigos de infância, também dividiu a
humanidade.
Em nome da preservação da vida no planeta, se construiu uma corrida
armamentista e inúmeras guerras e conflitos regionais, que condenaram
várias nações ao subdesenvolvimento, á dependência das grandes
potências protetoras e ao enriquecimento destas, quase como uma taxa
pela manutenção da “paz mundial” e da vida no planeta.
Documentos secretos, recentemente divulgados, dão conta de que os
grandes defensores da liberdade, Estados Unidos, Inglaterra e França
eram totalmente contra a reunificação da Alemanha, alegando que ela
colocaria em risco a suas hegemonias no mundo e na Europa, enquanto
essas mesmas nações, discursavam contra a sua manutenção.
Pois bem colegas, junto com o muro de Berlim, foram construídos vários
outros muros, muito mais altos, mais extensos e mais difíceis de serem
derrubados: o muro do medo, o muro da ignorância, o muro da alienação,
o muro da mídia, o muro das drogas, os muros e grades de nossas casas
e por fim, o muro do individualismo.
Esses muros não cairão por si só, assim como o muro de Berlim, teremos
que derrubá-los um a um.

José Antonio Martins Prestes

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

De Maquiavel a Rousseau: a construção e a desconstrução do poder

Este ensaio tem a pretensão de estabelecer uma análise do processo histórico da ascensão ao poder econômico e político da burguesia nos últimos 500 anos, baseado nos escritos dos pensadores Nicolau Maquiavel, Thomas Hobbes, Charles de Montesquieu, John Locke e Jean-Jacques Rousseau, das influências e das conseqüências deste processo na construção do neoliberalismo ocidental e da supremacia do capitalismo no mundo contemporâneo.
Dentro da idéia da importância desses pensadores, cabem pelo menos três reflexões iniciais: Até que ponto suas respectivas obras, muito mais que uma profunda leitura e tradução de suas épocas, interferiram ou contribuíram para o processo histórico que se construía e que seguiu? Teria esse processo histórico sido, de alguma forma, premeditado? Esses pensadores, entre outros das ciências naturais e das ciências exatas, qualificados como iluministas, serviram, mesmo que inconsciente e involuntariamente, a um grande projeto de poder da burguesia emergente?
A engenhosidade da burguesia transformou a prestação local e rudimentar de serviços e o escambo em um sistema comercial dinâmico e transnacional; criou a partir do artesanato de subsistência, uma indústria com produção em larga escala. Da necessidade de valores de referência que facilitassem as transações econômicas, “recriou” a moeda, e inventou o capitalismo.
Paralelo a este processo de ascensão econômica, surgiu a necessidade de uma evolução na conquista do poder político, na mesma medida em que foram se consolidando os estados europeus e estavam se processando a transição da Idade Média para a Era Moderna. Gradativamente o poder absoluto das monarquias oligárquicas foi se transferindo para os parlamentos controlados pelos burgueses, que criaram a idéia de democracia representativa e participativa, para tomar e manter poder político de uma forma quase que imperceptível, utilizando-se da força do povo, para implantar o seu projeto de poder político.
A burguesia criticou, atacou e desbancou a nobreza e a aristocracia deste poder, inventando e implementando uma nova forma de exploração e expropriação capitalista, baseada nos ideais de liberdade, igualdade, fraternidade, na constituição e na proteção absoluta da propriedade privada, que os autores Locke e Rousseau, brilhantemente explicam, justificam e defendem.
Está exatamente aí, na idéia da preservação inquestionável e absoluta da propriedade privada, garantida por um acordo civil e suportada por um poder político, que nasce o contrato social e inicia-se a derrocada do poder absoluto (monárquico ou por meio de uma assembléia como coloca Hobbes), sustentado até então pelo direito divino e legitimado pela santa e amada Igreja católica.
Para atingir os seus objetivos, a burguesia precisava enfraquecer a base de sustentação política e a ferramenta de controle e de manipulação popular do sistema monárquico aristocrático, a fé e a religião. Nascem então o protestantismo e o iluminismo.
O protestantismo introduziu a idéia de uma ligação mais direta do indivíduo com Deus, da livre interpretação das escrituras sagradas e da riqueza individual como uma benção divina, diminuindo muito a interferência da instituição religiosa nas decisões individuais; o iluminismo procurou, através da ciência, explicar os fenômenos naturais e a própria existência e a evolução das coisas, dos animais, do planeta e do próprio homem. Muito mais do que a busca por respostas através do empirismo, da dedução lógica ou da indução, o que estava em jogo era a supremacia da igreja católica na produção e na reprodução do conhecimento (das verdades), de acordo com as suas conveniências e os seus propósitos.
Isto posto, gostaria de estabelecer um paralelo entre um barco a vela solto no oceano e a própria humanidade. Sobre o veleiro: em condições normais de tempo, seu capitão e seus tripulantes, utilizando-se de suas habilidades práticas e de seus conhecimentos teóricos, conseguem dirigi-lo e conduzi-lo ao seu destino, porém com um nível bastante grande de imprevisibilidade, pois os ventos não obedecem ao capitão, como fazem os marujos; hora estão numa direção, hora em outra; hora mais fortes, hora mais fracos, ou nulos. Nas tormentas ou em mares naturalmente revoltos, ou não se navega, ou corre-se um grande risco de naufrágio.
A humanidade passa ciclicamente por períodos de serenidade e momentos de turbulência. Nas turbulências a imprevisibilidade é quase absoluta, porém, nos momentos de bons ventos, contrários ou favoráveis, a humanidade tem seguido, pelo menos nos últimos dois mil anos, por caminhos anteriormente traçados buscando objetivos, de médio e longo prazos, definidos por suas classes dominantes que, obstinadamente lutam para preservar ou aumentar seus domínios.
O período e os autores em questão são especialmente interessantes e ricos, justamente porque representam um período de transferência do poder econômico e político das monarquias aristocráticas e da própria Igreja, justificados pelo direito divino, para os sistemas “democráticos” burgueses, suportados então, pelos direitos civis e pelo contrato social.
O neoliberalismo ocidental e a supremacia do capitalismo no mundo contemporâneo evidenciam a vitória da burguesia mundial como corrente econômica, política e filosófica, sobre o Absolutismo, o Comunismo e o Anarquismo. Esta supremacia está diretamente relacionada com os ideais de liberdade, igualdade, fraternidade e da defesa irrestrita da propriedade e da democracia, construída e tão habilmente defendida pelos autores aqui estudados, como ícones e precursores de nosso tempo e de nossa história.
Apesar dessas brilhantes argumentações destes pensadores, esses conceitos possuem contradições em suas gêneses: a defesa irrestrita da propriedade, especialmente da propriedade privada, contradiz o ideal de fraternidade, pois produziu e continua produzindo uma desigualdade social tão profunda, que destrói o conceito de igualdade, de liberdade e comprometem a própria democracia.
Os ideais de igualdade e de liberdade não impediram a escravidão e a segregação racial nos Estados Unidos. O ideal de fraternidade não impediu que a Inglaterra dominasse, explorasse e reduzisse à miséria vários países da África. A defesa irrestrita da propriedade privada produziu pelo mundo afora uma legião de desvalidos sem teto, sem terra e sem um mínimo que lhes preserve a própria dignidade.
Além dos aspectos humanos, o modo de produção, de consumo e de vida implementado pelas sociedades modernas vêm acarretando uma série de problemas ambientais, que somente nos últimos anos tem adquirido a dimensão de catástrofe e que pode inclusive comprometer a existência da vida humana (e de tantas outras espécies) no planeta.
Seria no mínimo tendencioso atribuir a poluição das águas, a chuva ácida, o desmatamento, a extinção de espécies, a destruição da camada de ozônio, o aquecimento global, etc., ao capitalismo industrial e ao neoliberalismo, porém não se pode negar que no processo de construção e de concentração de riqueza e de poder por ele implementado, não se levou em consideração nem os custos sociais, nem os custos ambientais.

José Antonio, Lucas Voigt, Ulá Ká e Antonio Carlos. Ciências Sociais UFSC - 2ª fase.

sábado, 24 de outubro de 2009

E aí? Quais são as perspectivas dos cientistas sociais?

Constato com tristeza a visão retrograda, limitada e a total falta de ousadia dos colegas das ciências sociais, quanto ás nossas perspectivas profissionais e quanto as nossas perspectivas de interferir e de mudar o mundo em que vivemos. Quando digo isso, refiro-me ao excesso de academicismo e á falta de espírito prático e de contato com a realidade, que imperam em nosso meio no Brasil. Quero lembrar que não conheço a realidade de outros países.

Visão retrograda quando apontamos para o Marxismo como resposta ás mazelas produzidas pelo capitalismo, e limitada, porque não concebo a ideia de não sermos capazes de produzir nada de diferente, nem nada de melhor do que essas duas correntes políticas e filosóficas, quando muito, pendemos para a fusão das duas e a anunciamos como uma grande inovação.

Falta de ousadia pelo simples fato de termos diante de nós um fosso: somos a 8ª economia do planeta com a 75ª classificação no IDH da ONU. Temos um dos países mais corruptos do mundo terráqueo, numa escala decrescente de corrupção, figuramos na 80ª posição. Para ficar mais claro, numa escala de menos corrupção para mais corrupção somos o 80º.

Ao mesmo tempo em que produzimos bolhas de prosperidade e de "segurança" produzimos bolsões de miséria e de violência. Num país que compromete 10% do seu PIB com segurança (pública e privada), e que tem apenas a metade das vagas necessárias para prender todos os criminosos filhos das putas, filhos dos pretos e filhos dos pobres; que gasta mais de dois mil reais por mês com um preso e menos de trezentos reais com um aluno do ciclo básico, precisa de mais coragem dos que se dizem cientistas sociais e restringem a sua atuação a dar aulas nos colégios e nas universidades, funções necessárias e importantes mais não prioritárias, para aqueles que deveriam propor novas formas de relacionamento entre os homens e entre nós e o planeta.

Aprender com os erros e acertos do passado é importante, mas olhar pra frente é fundamental, do contrário, seriamos dotados também de olhos na nuca, pelo menos um. Culpar a janela pela paisagem é uma forma eficientíssima de sermos ineficientes. Remendar, dar um jeito, é uma forma de não consertar as coisas e somos bons nisso, infelizmente.

O que se espera de um cientista certamente não é a sua capacidade de identificar, quantificar e qualificar os problemas e suas causas, é sem dúvida nenhuma, a sua capacidade de produzir respostas viáveis, sustentáveis e exeqüíveis. Do contrário seremos sempre, críticos sociais, nunca, cientistas sociais, e as perspctivas profissionais e de mudança continuarão restritas ao mundo acadêmico..

José Antonio Martins Prestes

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Polícia Bandida

Um negro ferido agoniza depois de ser baleado num assalto na cidade do Rio de Janeiro. Dois policiais militares chegam ao local, liberam inexplicavelmente os suspeitos, e, ao invés de socorrer a vítima, roubam-lhe um par de tênis e uma jaqueta. Uma segunda viatura passa pelo local e ignora a agonia do homem (que morre vários minutos depois, sem socorro ou atendimento).

O comandante da PM do Rio, Coronel Mário Sérgio de Brito Duarte, não gostou da qualificação de "Bandidos de Farda", dada ao Capitão e ao Cabo que protagonizaram a ocorrência, por um amigo da vítima.

Talvez, chamar de Bandidos de farda esses policiais seja mesmo impróprio, porque pode restringir o adjetivo ao pequeno grupo de policiais militares que participaram da prevaricação, da omissão de socorro e do roubo; seria mais conveniente chamar a Polícia Militar do Rio de Janeiro de Polícia Bandida e começar por prender o seu comandante e demitir o seu estado maior, antes mesmo de se pensar numa nova estrutura para a segurança pública no Brasil.

Na foto: Evandro João da Silva, coordenador social do AfroReggae, assassinado no Rio.

José Antonio Martins Prestes

sábado, 17 de outubro de 2009

É o fim do começo ou é o começo do fim?

Cuba enfrenta dificuldades para manter subsídios e pode cortar distribuição social de comida

Mauricio Vicent Em Havana (Cuba)

Mais de 70% dos cubanos vivem desde que nasceram sob o sistema de racionamento. A famosa caderneta de abastecimento, em vigor desde 1962, garante todo mês a cada um dos 11 milhões de habitantes da ilha 3,5 kg de arroz, 2,5 kg de açúcar, 500 g de feijão, 230 g de óleo, 10 ovos, 460 g de frango, 460 g de macarrão, 230 g de picadinho de soja - ou substituto -, além de 115 g de café e um pão diário. Para as crianças menores de 7 anos, incluí um litro de leite por dia. Não é muito, mas durante quase meio século essa minicesta básica subvencionada - todos esses produtos custam o equivalente a menos de 1 euro - foi símbolo do igualitarismo da revolução.
Cuba liberta homem que pediu comida diante de câmeras de televisão
Juan Carlos González Marco, conhecido como "Pánfilo", foi preso a mando do Governo cubano, após ter sido condenado a dois anos de prisão por protestar e pedir comida diante de câmaras de televisão. Apesar de "Pánfilo" ter sido condenado a dois anos de prisão por "desvinculação laboral" e "periculosidade social pré-delitiva", e sua pena ter sido ratificada na semana passada em um tribunal de apelação de Havana, ele recebeu uma carta na qual comunica sua liberdade e que ficará 21 dias em um hospital psiquiátrico para receber um tratamento contra alcoolismo. "Pánfilo" ficará em liberdade após sua estadia nesse hospital e não terá que voltar à prisão
Mas os tempos mudam... Em meio à crise atual, a caderneta de racionamento se transformou em um fardo pesado demais para o governo de Raúl Castro, que tenta consolidar um modelo de economia socialista "sustentável", baseado na lógica dos números e não em sonhos impossíveis. Cuba importa mais de 80% dos alimentos que consome, e nas circunstâncias atuais a subvenção dos produtos da caderneta representa para o Estado mais de US$ 800 milhões. A conta não fecha. E o realismo raulista divulgou esse fato de todas as maneiras.Desde que assumiu formalmente o poder, em 24 de fevereiro de 2008, Raúl Castro declarou que a caderneta de racionamento, assim como outras "gratuidades e subsídios milionários", são "irracionais e insustentáveis". "Nenhum país pode gastar indefinidamente mais do que ganha", disse em várias oportunidades. O mesmo discurso é repetido há meses na mídia oficial, e em jornais como "Granma" é rara a semana em que não se publicam cartas dos leitores sobre o tema da caderneta. Até o diretor do jornal, Lázaro Barredo, deputado e membro do Comitê Central do Partido Comunista, publicou esta semana um editorial acalorado contra os "vícios do paternalismo", no qual defende o fim do racionamento subsidiado. "A caderneta de abastecimento foi uma necessidade em um determinado momento; com seus atuais atributos se transforma em um empecilho dentro do conjunto de decisões que a nação terá de assumir", afirma Barredo, para quem "a justiça social não é o igualitarismo, é a igualdade de direitos e oportunidades".No início do mês as autoridades começaram a experimentar a primeira medida - redução dos subsídios. Como teste, em quatro ministérios - Trabalho e Seguridade Social, Finanças e Preços, Economia e Planejamento e Comércio Interior - foram fechados os refeitórios operários e em troca se começou a dar a cada trabalhador 15 pesos diários - cerca de 0,70 euro - para que almoce por conta própria. Em Cuba há 25 mil refeitórios operários, onde se alimentam diariamente 3,5 milhões de trabalhadores, o que custa ao Estado US$ 350 milhões, segundo números oficiais. A idéia é estender a medida a todos os centros de trabalho.Dentro dessa lógica de eliminação de subsídios, a caderneta de racionamento tem os dias contados, na opinião da maioria dos especialistas. "A caderneta vai desaparecer, disso não há dúvida. Mas a precariedade atual é tamanha que o governo não pode fazer isso de uma vez, pois deixaria meia ilha derrubada", afirma um economista. As autoridades sabem disso. O salário médio em Cuba é de 415 pesos mensais, cerca de 13 euros. Em Cuba, é verdade, a saúde e a educação são gratuitas - outra coisa é sua qualidade -, o preço da água, do gás e outros serviços são subsidiados e a caderneta garante um mínimo que chega para dez ou 12 dias. "Mas depois você vai à mercearia e lhe cobram por 1 litro de óleo o salário de uma semana, e outro tanto por um frasco de xampu", diz Virginia, formada em biotecnologia. "O que vai fazer um aposentado que ganhe 200 pesos por mês se lhe tirarem a caderneta?", pergunta-se.Pelo que se disse até agora entre linhas, parece clara qual será a estratégia: subvencionar as pessoas que mais precisem e eliminar o racionamento para as demais. Mas economistas independentes como Óscar Espinosa Chepe põem o dedo na ferida: antes é preciso fazer alguns deveres, como eliminar a dupla moeda e conseguir que o salário recupere o valor real. Para gerar riqueza não basta poupar, é preciso produzir; e é bom lembrar que em Cuba de 60% a 70% dos alimentos são produzidos por agricultores privados, que dispõem de 20% das terras.Por que não se cooperativizam certos serviços que o Estado é incapaz de oferecer com qualidade? E por que não se dão maiores margens à iniciativa privada?, perguntam-se Chepe e muitos outros. E, como a caderneta desaparecerá, as reformas serão cada vez mais urgentes.


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves


Publicado no Uol notícias 17/10/2009

sábado, 10 de outubro de 2009

Dois pesos e duas medidas.

Direitos humanos de esquerda
O ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, em palestra em Belém, quarta-feira passada, em conferência promovida pela OAB, esclareceu que o governo Lula concedeu status de refugiado político ao ex-guerrilheiro italiano Cesare Battisti, com base numa premissa humanitária: a tradição brasileira de acolher quem lhe peça socorro, independentemente do conflito de que seja parte.
Simples assim. O ministro foi aplaudido como um humanista, sem que a alguém na platéia ocorresse uma pergunta igualmente simples: por que a mesma tradição não funcionou em prol dos boxeadores cubanos Guillermo Rigoundeaux e Erislandy Lara?
Eles, como se recorda, desligaram-se da delegação de seu país, na conclusão dos jogos pan-americanos de 2007, e pediram asilo ao governo brasileiro, alegando incompatibilidade com o ambiente político de Cuba.
O pedido foi recusado e ambos foram deportados de volta a seu país, num jato fretado pelo governo cubano.
Lá, como temiam, foram presos. As autoridades brasileiras alegaram que estavam sem documentos, o que, segundo a Polícia Federal, já seria motivo suficiente para a deportação.
Não se sabe se Battisti possui os seus documentos em ordem. Em geral, pessoas nessas condições não possuem.
A diferença entre os boxeadores e Battisti é que este foi condenado em instância final por crimes de homicídio em sua terra e por um tribunal de direitos humanos da União Européia.
Contra os boxeadores, nenhuma acusação pesava, a não ser o desejo de viver em uma democracia, regime desconhecido em Cuba há meio século.
Tem-se aí claramente um fenômeno de ideologização dos direitos humanos. Tratava-se, no caso dos cubanos, de atender a um governante ideologicamente afim ao governo brasileiro.
No caso de Battisti, que integrou organização paramilitar de esquerda na Itália dos anos 70, dava-se o contrário: estava em pauta o pleito de um governo democrático, reclamando, com base em tratado de extradição firmado com o Brasil, alguém condenado por três crimes de morte, aos quais não se deu o rótulo de “políticos”.
Em defesa de Battisti, o governo foi às últimas conseqüências. Enfrentou a reação do governo italiano, pondo em dúvida a justeza das sentenças condenatórias.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, não hesitou em considerar que o Judiciário italiano não foi justo, gerando reações fortes naquele país. Somos humanitários e ponto final.
No caso dos cubanos, alegou-se apenas que eles não tinham documentos. O passaporte estava retido junto à delegação. O humanismo perdeu para o rigor burocrático da polícia e o governo, claro, não podia fazer nada.
O governou agiu ideologicamente, com pesos e medidas diferentes para cada caso, o que é característica dos governos. Pelo menos de alguns.
Também os governos militares brasileiros agiam ideologicamente, ao conceder asilo a ex-ditadores e a prender fugitivos de ditaduras do Cone Sul, nos anos 70 e 80.
Mas direitos humanos não têm ideologia. Não são de esquerda ou de direita. Não há direitos humanos socialistas ou neoliberais.
Onde quer que a integridade física, moral, psicológica ou cultural de uma pessoa ou de uma comunidade seja violada, ali se configura uma transgressão aos direitos humanos e deve ser combatida.
Cabe à imprensa um papel nesse processo: o de postar-se acima do jogo ideológico e denunciar. Nem sempre o faz, mas é ainda quem faz.
Por exemplo: sabe-se com freqüência – e repudia-se – as agressões aos integrantes do MST, mas sabe-se pouco (e minimiza-se) o que ocorre com os que habitam as propriedades por eles invadidas.
E há aí também inúmeros casos de violência, que ferem direitos humanos, quando não o bom senso (caso dos laranjais da Fazenda Cutrale, destruídos bestialmente há dias no interior de São Paulo).
Por essa razão, convém insistir na máxima de que direitos humanos não têm – não podem ter – ideologia, a não ser a expressa em sua própria essência: a defesa da integridade e dignidade do ser humano.
Fugir dessa premissa, relativizando-a, é fugir da própria missão. Como o fez agora o ministro dos (vá lá) Direitos Humanos.

Ruy Fabiano é jornalista, e publicou esta matéria no blog no Noblat- 10/10/09

domingo, 4 de outubro de 2009

Utopia. Por que não?

“Foi estabelecido cientificamente que a mamangava não pode voar. Sua cabeça é grande demais e suas asas pequenas demais para sustentar o corpo. Segundo as leis da aerodinâmica, ela simplesmente não poderia voar. Mas ninguém disse isso à mamangava. E assim ela voa.”

Autor desconhecido

domingo, 27 de setembro de 2009

Enfiando os pés pelas mãos.

Definitivamente sou contrário a golpes de estado e a regimes militares de direita ou de esquerda. Odeio Ditaduras, seja a de Zelaya ou a de seus inimigos, seja de Hugo, seja de Fidel ou de Obamas, para mim, isso é um retrocesso.
Confio na democracia e no estado democrático de direito, por pior que sejam.
Mas daí a sair defendendo o Sr. Zelaya, como se fosse um coitadinho vítima de um mostro, é no mínimo desconsiderar que esse cidadão não passa de um projeto de ditador, que pretendia se manter no poder em detrimento da constituição do seu país e que a sua deposição foi constitucional.
A meu ver o Brasil foi extremamente infeliz e inoportuno em comprar uma briga, totalmente desnecessária, e que pode nos custar muito, na medida em que intervir em assuntos internos (na soberania) de outras nações, disputar a liderança da América Latina demonstrando "superioridade" econômica e militar, não contribui em nada com a unidade que precisamos construir entre os latino americanos.
Quando perguntaram ao Roosevelt qual foi a medida mais importante que ele havia tomado para tirar os EUA da crise de 29 ele disse: Na maioria das vezes os problemas se resolveram por si só, e o melhor que fiz, foi não ter feito nada.

Como Brasileiro reprovo a intromissão do Brasil em Honduras.

José Antonio Martins Prestes

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Das ciências naturais ás humanidades


Nós, seres humanos, temos uma tendência cultural de criar e estabelecer “verdades absolutas” e a partir daí, acreditar fielmente nelas, a ponto de defendê-las por muito tempo, ás vezes a qualquer custo.
Desenvolver uma nova “verdade”, um novo modelo, um novo conceito, uma nova trajetória, um novo objetivo, significa, no mínimo, estar disposto a passar pela instabilidade, pela provação, pelos incômodos e infortúnios desta nova proposta.
Isto é evidentemente um grande incômodo, porque concordar é sempre mais fácil do que discordar. Aceitar as coisas como elas sempre foram, é infinitamente mais confortável e seguro do que discordar, pois o ato (ou a omissão) de aceitar, não implica em praticamente nenhum esforço, risco ou exercício. Aceitar uma “verdade estabelecida”, nadar a favor da corrente, exige pouco ou nenhum esforço.
Discordar de uma “verdade” ou de uma idéia estabelecida por muitos, durante muito tempo é, portanto, exatamente o contrário. Exige inicialmente um grande esforço reflexivo, um profundo exercício de questionamento e posteriormente uma coragem para expor essa nova idéia, esse novo caminho, esse novo objetivo.
Afinal de contas, onde a “verdade” estabelecida está errada? Porque ela não responde mais as necessidades e/ou os interesses daqueles que a estabeleceram ou a adotaram? As falhas ou limitações encontradas comprometem-na parcialmente ou totalmente? A tal ponto que basta uma reforma para resolver a questão? Ou a inviabiliza por completo, a tal ponto que seja necessário estabelecer uma “verdade” ou um caminho totalmente novo? Como as pessoas envolvidas diretamente ou atingidas por elas reagiriam? Elas estariam dispostas a mudar? Quais os preços e quem seriam os responsáveis pelos pagamentos?
Ao constatar que a “verdade” estabelecida não responde mais satisfatoriamente aos anseios dos envolvidos, passa-se então a buscar as mesmas respostas e a mesma satisfação na nova proposta, ou seja, as perguntas não respondidas pela verdade vigente, agora terão que ser respondidas por uma nova proposta. Para isso é necessário um grande exercício de reflexão, estudos e até mesmo experiências empíricas, para o auto-convencimento de que a “verdade” proposta seja, realmente melhor que a verdade atualmente estabelecida.
Portanto, o cidadão ou os cidadãos que se propõem á tarefa tão árdua, precisam não só de disposição, mas também de muita coragem para sair da zona de conforto da aceitação e criar uma nova alternativa que suplante a verdade estabelecida.
Após essa fase, passa-se á produção da argumentação e da difusão da idéia para o convencimento de outras pessoas. Inicialmente, ás mais próximas e mais favoráveis, posteriormente ás menos resistentes e, finalmente, a aquelas que seriam totalmente refratárias as mudanças. Mesmo entre aqueles que supostamente seriam favoráveis as mudanças, pode haver uma inesperada rejeição a nova proposta, ou entre os que seriam menos favoráveis ou mais resistentes, pode haver hostilidades, por isso, é preciso estar preparado para tais reações.
Portanto, a coragem é um atributo necessário áqueles que ousam discordar das “verdades” estabelecidas e propor outros caminhos.
Assim foi com Galileu Galilei, quando ousou defender diante da Santa Igreja Católica, em 1616, o sistema heliocêntrico, ou com Karl Marx, quando contestou o capitalismo burguês e propôs a ditadura do proletariado, nos meados do século XIX. O primeiro foi condenado a negar publicamente as suas idéias e os resultados de seus estudos, além da prisão por tempo indefinido. O segundo abdicou por conta própria, a uma vida confortável de pequeno burguês, para uma rotina de perseguições, expulsões, privações e humilhações, na medida em que para sobreviver, em determinados momentos de sua vida, precisou da ajuda caridosa de amigos e seguidores.
A imensa maioria daqueles que ousam discordar das “verdades” estabelecidas e apresentar outras propostas, por mais densas, embasadas e justificáveis que sejam, correm um sério risco de não terem o seu trabalho e o seu esforço reconhecidos em sua própria época, deixando de experimentar o doce sabor do reconhecimento, da boa fama e até mesmo da fortuna, muito pelo contrário, muitos morrem abandonados, desprestigiados, esquecidos e pobres. Assim aconteceu com Maquiavel e até mesmo com Cristóvão Colombo.
A proposição de um novo método, de um novo caminho e até mesmo de um novo objetivo, passa necessária e inicialmente, por um processo imaginativo e ideológico, antes de se materializar em um estudo, um discurso, um projeto e finalmente em uma prática. Portanto, a constatação de que uma “verdade” não mais atende as necessidades e os interesses daqueles que com ela estão envolvidos ou por ela são atingidos, conduz necessariamente, a um processo imaginativo de alternativas que solucionem os problemas apresentados e possam se transformar em projetos viáveis e exeqüíveis.
Neste ponto reside uma questão fundamental para aqueles que buscam solucionar problemas reais, com soluções ideais. Não tendo a capacidade de determinar todas as variáveis, limitações e interesses envolvidos, muitos ideólogos produzem propostas sem a menor condição de serem realizadas naquelas circunstâncias e época. Por essa razão, a ideologia ou o idealismo, no sentido da busca pela resposta ideal a todos os problemas, perdem espaço para as propostas possíveis, mas que representem avanços ou mudanças diante das questões apresentadas.
Isto posto, as propostas com maior probabilidade de serem aceitas são aquelas que pareçam ser as mais exeqüíveis, ou seja, entre o ideal e o possível, é muito mais aceitável a segunda proposta. Daí, principalmente no campo das humanidades a ansiedade e a euforia, acabam dando lugar a frustrações, mesmo que elas representem avanços importantes.
Como a maioria daqueles que estão a muito tempo envolvidos com as “verdades” estabelecidas tornam-se praticamente cegos diante de outras possibilidades, é compreensível que os espíritos jovens sejam os produtores dos novos caminhos, de certa forma o processo evolutivo é irremediavelmente inevitável e ele será produzido por estes espíritos jovens, como disse o poeta Belchior: “...o novo, o novo sempre vem...”
O processo de convencimento para a aceitação de uma nova “verdade” está muito mais relacionado com a falência das verdades estabelecidas e com seus prejuízos, do que necessariamente com a idéia de inovação da nova verdade proposta ou de suas vantagens comparativas, uma vêz que, de uma forma geral a sociedade é conservadora e dominada por elites que pensam, agem e reagem, quase que exclusivamente movidas por interesses específicos e imediatos. Na esteira deste raciocínio, mesmo que as mudanças sejam propostas de baixo para cima, elas serão, invariavelmente aceitas e implementadas de cima para baixo. Ou seja, são as elites que definem, em última instância, se continuam com as “verdades” estabelecidas, se as reformam ou se as revogam definitivamente em detrimento de uma nova “verdade”.
Na medida em que esta nova “verdade” é aceita e estabelecida, busca-se novamente uma situação de equilíbrio e de normalidade. E sob esta nova concepção, pretende-se resolver os velhos problemas.
É interessante pensar que, tanto nas ciências naturais, quanto nas humanidades, não existem verdades absolutas, nem respostas prontas para todos os problemas, ou ainda propostas que satisfaçam a todos; por isso, a rotina de lidar com conflitos, deve ser encarada como um processo normal e corriqueiro.
Outro fator importante que deve ser lembrado é o caráter de escolha da nova “verdade” a ser estabelecida, quando se apresenta mais de uma opção. Uma vês que o novo caminho a ser seguido ou o novo objetivo a ser atingido respeitará sempre a visão dos grupos dominantes entre todos os envolvidos na questão, são as elites que tomam essa decisão. Neste processo o critério democrático ou racional sempre perderá importância diante dos interesses do grupo dominante. Observamos aí, claramente um viés conservador, mesmo se tratando de um processo de mudança. Ainda dentro deste caráter conservador, as elites procuram sempre restringir as mudanças ás mínimas necessárias, para a manutenção do status quo.
Outro fator importante a ser lembrado, é a idéia de que a escolha de um novo caminho, de uma nova “verdade” ou de um novo objetivo, tem muito mais um caráter de crença na nova proposta do que em qualquer sistema que garanta empiricamente o resultado positivo da escolha. Isso faz com que algumas mudanças sejam sucedidas imediatamente de outras mudanças, até que se encontre uma alternativa satisfatória, um novo ponto de equilíbrio, uma nova normalidade, especialmente para os grupos dominantes.


José Antonio Martins Prestes

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Afinal, qual é o Brasil que queremos?


Famílias encolhem, brasileiro vive mais e fica "mais pardo"; país tem 5 milhões de mulheres a mais que homens

Em que aspectos o Brasil mais precisa melhorar?


Famílias menores, mais gente morando só e mais pessoas que se declaram de cor parda. Os brasileiros vivem cada vez mais, principalmente as mulheres, que ainda são maioria na população: há 5,1 milhões de mulheres (quase uma população do Paraguai, que é de 6 milhões de pessoas) a mais do que homens. Essas são algumas das conclusões da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), divulgada hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).


A pesquisa serve como um retrato do Brasil em números. Pnad: o perfil do brasileiro

Mais domicílios possuem máquina de lavar e microcomputador; veja o quadro do país e por Estado.




Uma boa notícia: o trabalho infantil caiu acentuadamente na faixa entre 5 e 13 anos de idade.


Nesse período da vida, no qual o trabalho é considerado ilegal no Brasil, houve queda de 19,2% em um ano (de 2007 para 2008, ano em que a pesquisa divulgada hoje foi feita) na quantidade de crianças e adolescentes com ocupações remuneradas ou não remuneradas. Mas ainda há 883 mil crianças e adolescentes de 5 a 13 anos trabalhando no Brasil.


O brasileiro está um pouco mais "endinheirado".


O rendimento médio dos brasileiros que têm ao menos um trabalho remunerado cresceu, em 2008, 1,7% acima da inflação e atingiu R$ 1.036, no quarto ano seguido de aumento. Em 2007, o valor estava em R$ 1.019. A média de renda vem aumentando pelo menos desde 2004, mas o ritmo de crescimento passou a diminuir a partir de 2006. No ano passado, a alta foi a menor desde 2005.


5,1 milhões é o total de mulheres a mais que homens na população brasileira. Leia mais


O aumento da renda se reflete no acesso a bens de consumo.


No Brasil, 82,1% das pessoas têm telefone. Sinais dos tempos modernos é o declínio da telefonia fixa: mais de 40% das casas de quatro regiões do Brasil têm apenas celular para fazer ligações.


Computador é outro item que aparece em cada vez mais residências pelo país: já são 31,2% os domicílios com computador (um ano antes eram 26.5%), e 23,8% os que têm acesso à internet.


Mas os números mostram que alguns problemas que parecem ser do passado persistem em pleno século 21: moradores 9,2 milhões de residências ainda dependem de poços, nascentes, carros-pipa ou da chuva para beber água, cozinhar e tomar banho. Já cerca de 2,2 milhões de casas não contam com nenhum tipo de escoamento para o esgoto.


O índice de analfabetismo do país caiu pouco. O Brasil ainda tem 14,2 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais. Um em dez brasileiros com 15 anos ou mais não consegue ler ou escrever um bilhete simples. A taxa de analfabetismo divulgada neste ano na Pnad é de 10%, dado semelhante ao ano passado, quando a taxa ficou em 10,1%.





Do UOL Notícias Em São Paulo.

sábado, 22 de agosto de 2009

Acordo com o diabo custa caro.

Quem faz acordo com o Diabo não pode arrepender-se, simplesmente porque não existe cláusula recisória. Quando chega a hora ele cobra o que lhe é devido: a alma.
A cúpula do PT tem pago o preço, agora é a hora e a vez do Senador Aloízio Mercadante seguir o caminho de José Genuíno, Zé Dirceu, Zéca do PT, Celso Daniel, Silvinho, Delúbio Soares, etc.

Em alguns casos o diabo leva a vida e a alma, em outros, leva somente a alma, o que é muito pior.

Veja o humilhante discurso de Aluízio Mercante ao renunciar á renúncia e tentar justificar o injustificável.

Infelizmente Caro Aloízio, não dá para voltar á tras.

José Antonio Martins Prestes.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Um novo lhar para o futuro

O contraponto está estabelecido.

O Brasil não é mais o mesmo, a sucessão de Lula já não está mais definida entre as variáveis do mesmo modêlo neoliberal tucano-petista, temos agora a oportunidade e a possibilidade de construir um novo caminho e um novo destino, o do desenvolvimento sustentável, tanto nas relações entre os humanos quanto entre os humanos e a mãe natureza.

Seja bem vinda Senadora Marina Silva, á disputa eleitoral de 2010, sua presença qualifica e enobrece o debate político e ainda resgata o pouco de dignidade que existe na política praticada pelos nossos políticos. Parabéns.

José Antonio Martins Prestes

sábado, 8 de agosto de 2009

A política dos políticos

Em vários cantos e meios do Brasil, a política ainda é feita á base de capangas, armas, surras, mortes e sumissos de adversários, os Estados de Alagoas e do Maranhão são ótimos exemplos desta forma de fazer política. Não é á toa que estão entre os estados mais pobres, atrasados e violentos do país. Fernando Collor, Renan Calheiros e José Sarnei são três de seus mais ilustres representantes.

Infelizmente o Senado brasileiro está entulhado deste tipo de político. Os menos ruís pecam por uma inexplicável omissão, é o caso dos petistas: Aloísio Mercadante e Eduardo Suplicy e do pmdebista Pedro Simon, que sempre fizeram vistas grossas aos esquemas montados por Agaciel Maia a mais de 16 anos. Alegando desconhecer as falcatruas.

Existe ainda a turma do cinismo descarado, cujo exemplo máximo e mais atual, é o do Senador Artur Virgílio do PSDB, que alegou não saber a origem dos dez mil dólares que seu assessor lhe enviou á Europa ou que mantinha um protegido seu, estudando na Espanha ás custas do Senado Brasileiro. Se propôs a devolver o dinheiro para encerrar o assunto.

Sarnei é simplesmente o chefe deste bando, nem melhor, nem pior, usa o cargo em sua plenitude para se manter na política, para enriquecer, para garantir a defeas dos interesses de seus financiadores, para beneficiar os seus familiares e vai por aí á fora.

O mais interessante é que depois deste show de Horrores que estamos vendo pela mídia, o foco das atenções será desviado para outro assunto (que será produzido logo) e tudo continuará como sempre: o cargo público sendo utilizado exclusivamente para o benefício privado.

Este é o caso do povo brasileiro sair ás ruas e exigir uma devassa no Senado, na Câmara e no Executivo, infelizmente e inexplicavelmente, não o fará. Paciência!!!!

José Antonio Martins Prestes

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O velho e bom Leão da Montanha e sua estratégica - Saída pela direita!!!

De direito, a crise é do senado e não do palácio do planalto, como disse hoje Lula, afinal estamos em plena democracia republicana, que preconiza a autonomia e a independência entre os poderes; mas de fato, Sarnei foi eleito presidente do Senado e está sendo mantido no cargo, por força, graça e obra do Presidente Lula e de seu projeto político para 2010.
Lula, que foi refém do mensalão - e que alegou nada saber sobre o assunto - agora é refém do PMDB e de uma corja de políticos fisiológicos e moribundos, que vendem a mãe e passam recibo. Tudo em nome do poder ou como disse o desautorizado Senador Aloísio Mercadante: "... da governabilidade". Eu diria, da continuidade.

Seria interessante pensarmos em construir um Brasil diferente, sugiro refletirmos sobre esses três pontos: renovar a classe política, investir maciçamente em educação e cidadania e reformular a legislação eleitoral e o nosso sistema político, simultânea e urgentemente.


José Antonio Martins Prestes

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Lula está refem de Sarnei, do PMDB e da politicalha!!!

Sarney, Lula e o preço que for preciso

A nota escrita pelo senador Aloizio Mercadante, líder do governo no Senado, pedindo o afastamento de José Sarney da presidência da “mui leal e valorosa” câmara alta da república, fez recordar ao país que existe uma queda de braço na interna do PT.
A presidência explicitamente desautorizou seu líder mantendo o apoio ao senador pelo Amapá.
Duas moedas estão em jogo.
Uma é de ordem tática, visando garantir a “blindagem” do governo perante a CPI da Petrobrás.
Outra, estratégica, mira no projeto eleitoral de 2010 e a complexa rede de alianças com as diversas facetas do PMDB que ocupam parcelas importantes de controle do Estado brasileiro.
No final das contas, o presidente mais popular da história do país se atira nos braços dos ex-inimigos políticos e isola qualquer voz discordante.
Uma mensagem é explícita. Não importa o motivo da discrepância entre políticos petistas e seu símbolo maior, para Lula e seu núcleo duro, nada pode estar acima das lealdades do governo para com quem o sustenta.
Este é um dilema clássico da política, ocorrendo quando um operador político paira acima de qualquer organicidade partidária.
Por fazer cálculos próprios, este líder tende a preferir bases de apoio para a chamada governabilidade e a projeção de continuidade do mandato pelo sucessor.
Embora soe estranho, é como abrir mão das metas originais para manter uma parcela do poder do Estado, concentrado no Brasil no caixa da União e nas prerrogativas do Executivo.
Nada disso é novidade na trajetória recente de Luiz Inácio. Este processo já se faz notar desde, pelo menos, a difusão da Carta ao Povo Brasileiro e a aliança com José Alencar para vice em 2002.
Naquele momento, o pouco que restara do projeto político da década de ‘80 se perdeu na planície. Restaria então a aliança orgânica com as correntes internas do PT e os partidos de esquerda eleitoral.
Como meta de governo, Lula e sua equipe tentariam ao menos a execução dos planos setoriais, sendo a reforma agrária e a retomada do poder de compra do salário mínimo as bandeiras históricas.
Fez-se apenas um arremedo de ambas, mas Lula provou ser duro na queda, superando a dissidência que formara o PSOL e posteriormente, sobrevivendo à crise do Mensalão.
Faltando exatos doze meses do início da campanha presidencial de 2010, o Planalto não vai arriscar nada.
Isto implica em pagar o preço necessário para evitar que José Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá e cia. não venham a se tornar uma versão peemedebista do irado Roberto Jefferson de 2005.
Para evitar esse risco e manter altas as chances de Dilma Roussef, Lula vai pagar o preço que for preciso.

Bruno Lima Rocha é cientista político (www.estrategiaeanalise.com.br / blimarocha@via-rs.net)
Matéria poblicada no Blog do Noblat em 29/07/2009.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Roberto Mangabeira Unger fala no UOL sobre o Brasil e sobre política.

Veja o resumo da entrevista que o professor Roberto Mangabeira Unguer concedeu ao site UOL Notícias. Nele o professor fala sobre o Brasil e sobre política brasileira e aponta alguns caminhos muito interessantes.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Impunidade - O caso do castelo foi arquivado.


"Os congressistas são impuníveis no Brasil", diz professor de ética e política
Guilherme Balza.

Para o professor de ética e política da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Roberto Romano, 63, o Brasil não vive uma democracia, e sim uma "oligarquia" em que os parlamentares são "impuníveis". O professor defende que seja feita uma reforma política a partir de um diálogo amplo com a sociedade, e não dentro do próprio Congresso, e que os partidos políticos sejam forçados a se democratizarem.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Quais são os limites da política?


Essa é uma pergunta que eu sempre me faço e não tenho conseguido resposta. Fico pensando sobre a dignidade humana ou os princípios que um ser humano precisa ter e respeitar para se orientar na vida.

De fato as coisas mudam muito pouco, sou levado a acreditar que são as pessoas que se moldam as circunstâncias. Mas, pra tudo existe limite.

Quando Maquiavel disse (sem dizer) que os fins justificam os meios, certamente não estava se referindo as coisas e sim as pessoas, da mesma forma quando afirmou que na política, os inimigos de ontem, serão os amigos de amanhã. Mas, e os limites?

Lula chegou ao poder, de direito e de fato, e está fazendo uma boa administração, reconheço. Precisa do PMDB e de uma corja do baixo clero para levar seu projeto político a diante (leia-se: eleger Dilma em 2010). Mas, e os limites?

Collor representa o coronelismo que condena o nordeste ao atraso, Collor é um político de proveta, uma cria do regime militar e da rede globo, que quase destruiu o Brasil em 1990/91/92; Collor é o sinonimo da corrupção e do crime organizado na política nacional.

Imagino o que passa pela cabeça de Heloisa Helena, ao ver Lula e Collor, de amores no mesmo palanque. Não deve ser fácil.

Aproveito esse espaço para me solidarizar com ela.

José Antonio Martins Prestes.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Breve histórico da esquerda brasileira


O anjo torto, esquerda (e direita) no Brasil. Editora Brasiliense, 1995.

Resenha do livro de Emir Sader, feita por José Antonio Martins PRESTES

O autor inicia sua obra argumentando que, apesar dos inúmeros e substanciais avanços tecnológicos observados nos dias atuais, as desigualdades sócio/econômicas entre os países ricos (do hemisfério norte) e os países pobres, intitulados subdesenvolvidos ou em desenvolvimento (do hemisfério sul), acabaram por se acentuar drasticamente, e que a internacionalização das economias via globalização, fez com que os termos, direita e esquerda, perdessem o sentido que adquiriram nos últimos 300 anos, provocando um esvaziamento nos discursos políticos que se sustentavam sobre essa dualidade.
Os claros conflitos e contradições políticas, sociais e econômicas, observados á partir da revolução francesa e que se espalharam pelo mundo ocidental até o final do século XX, perderam de certa forma sua relevância e seu sentido depois da queda do muro de Berlim, do esfacelamento da URSS, da formação do Mercado Comum Europeu e da inserção da China na economia de mercado; causando uma espécie de anestesia e nebulosidade entre os que defendiam o socialismo democrático ou o comunismo; enfraquecendo-os e abrindo espaço para a evolução de uma nova ordem política e econômica, predominantemente neoliberal, defendida pelos Estados Unidos da América e pela Inglaterra do pós-guerra.
No Brasil, nasce nos anos de 30 (do século passado) e predomina até o final da década de 60 (com Luiz Carlos Prestes e com o Partido Comunista Brasileiro), uma proposta de esquerda capenga e vacilante, baseada no modelo Russo de 1917 (primeira fase). Posteriormente, durante a década de 70 tivemos a segunda fase da esquerda brasileira, caracterizada pela resistência armada ao regime militar ditatorial instalado em março de 1964. Finalmente, em sua terceira fase, a esquerda brasileira se consolida nos anos 80, através da resistência “pacífica” e institucional a já agonizante e desgastada ditadura militar, que caminhava lenta e tristemente para o seu final.
Sader desconsidera em sua obra, o fato de que nos anos 30, 40 e 50, a esquerda brasileira, leia-se Luiz Carlos Prestes e PCB, serviu mais aos interesses do Líder Populista Getúlio Vargas, que a seus próprios interesses e objetivos, na medida em que se “deixava” manipular pelo mesmo; juntamente com outras forças políticas da época como o integralismo; em função de um grande projeto progressista/nacionalista em implantação por Getúlio, que contrariava frontalmente os interesses do liberalismo americano no Brasil e na América Latina.
No início dos anos 60, buscando novas formas de atuação, surge do próprio PCB (e criticando-o), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), de orientação chinesa revolucionária. Nesta mesma linha de conduta crítica ao PCB, nasce em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a Política Operária, denominada Polop. No campo do pensamento Cristão, surge baseada na encíclica Pacen in Terris, do Papa João XXIII a Ação Popular, movimento de esquerda que deu origem posteriormente a teologia da libertação. Também neste contexto nasce as Ligas Camponesas, movimento baseado na luta pela reforma agrária e acesso á terra. Portanto, o início dos anos 60 marca o fim da hegemonia do PCB na esquerda brasileira e inalgura novas formas de luta e de mobilização popular em prol da implantação de um regime socialista revolucionário e democrático, processo este que culminou no golpe de 31 de março de 1964, uma ditadura militar violenta e repressiva.
A luta armada como forma de resistência ao regime instalado e suas mazelas é colocada pelo autor como única fronteira possível de atuação da esquerda no final dos anos 60 e início dos anos 70. Fato este que deu origem a uma série de assaltos e seqüestros urbanos, promovidos por diversos grupos de esquerda e pelas tentativas de organização de luta armada no campo, como as experiências da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária do Capitão Carlos Lamarca), no Vale do Ribeira e a tentativa do PCdoB em implantar no rio Araguaia, um núcleo de guerrilha rural. Todas essas tentativas foram violentamente reprimidas pela ditadura, com suas forças oficiais e para-militares, resultando na prisão, tortura, morte ou exílio daqueles que delas faziam parte.
Após o aniquilamento dos grupos que tentaram combater a ditadura pela via da luta armada, o regime militar permitiu que se estruturasse dentro do MDB (partido que juntamente com a ARENA, prestava-se ao trabalho de dar legitimidade política á ditadura), o nascimento de uma oposição vigiada e controlada. O processo de redemocratização nasce então nas mãos das FFAA (forças armadas), que no final da década de 70 promovem uma anistia política.
O fracasso dos programas sociais e econômicos do regime militar, associado a implantação de indústrias multinacionais na região do ABCD paulista, propiciou o surgimento de um movimento sindical muito mais crítico e independente do que aquele sindicalismo estatal predominante no período de Getúlio Vargas. É justamente no seio deste movimento sindical que nasce a terceira geração da esquerda brasileira, associada a amplos e importantes setores da sociedade civil como os membros da igreja católica, ligados á teologia da libertação e aos intelectuais da USP e da Unicamp. Desse movimento sindical e neste contexto nasce o Partido dos Trabalhadores (PT), que assumiu a cara da nova esquerda brasileira, defendendo um discurso socialista e democrático e em oposição ao neoliberalismo implantado e defendido pelas forças de direita que ocupavam o poder desde março de 64.
A ascensão do PT de Lula como o principal representante da esquerda brasileira, colocou todos os demais partidos de esquerda num papel de meros coadjuvantes no processo político e a polarização com o PSDB (um partido que depois da eleição de Fernando Henrique Cardoso e da associação com o PFL, assume a bandeira do neoliberalismo), definiu o campo de embate político ideológico do Brasil contemporâneo.
De uma forma clara, simples, muito objetiva e sem emitir juízo de valor, Emir Sader traça uma perfeita trajetória cronológica da esquerda brasileira, que pode ser lida e entendida por todos aqueles que pretendem conhecer a nossa história política recente (pós república velha) e a entender a formação do atual cenário político ideológico brasileiro.


Emir Sader nasceu em São Paulo, no ano de 1943. Formou-se em Filosofia na Universidade de São Paulo. Fez Mestrado em Filosofia Política e Doutorado em Ciência Política, ambos na Universidade de São Paulo. Na mesma universidade, trabalhou como professor, primeiro de filosofia, depois de ciência política. Foi, ainda, pesquisador do Centro de Estudos Sócio Econômicos da Universidade do Chile, professor de Política na UNICAMP e coordenador do Curso de Especialização em Políticas Sociais na Faculdade de Serviço Social da UERJ. Atualmente dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ, onde é professor de sociologia. É autor de pelo menos 32 outras obras, entre elas: Século XX - Uma biografia não-autorizada. Ed. Fund. Perseu Abramo, 2000. Estado e Política em Marx (Ed. Cortez);A transição no Brasil: da ditadura à democracia? (Ed. Atual).