terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Uso de drogas e exclusão social

Uso de drogas no Brasil está ligado à desigualdade e à exclusão social, aponta Unesco

Lisiane Wandscheer (DF)
Estudo elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) constatou que, no Brasil, a maioria das iniciativas de prevenção ao consumo de drogas está na periferia. Com essa conclusão, o representante da Unesco no país, Vincent Defourny, avaliou que, no Brasil, a desigualdade e a exclusão social são agravantes para o consumo de drogas. "No Brasil, toda a dimensão de desigualdade e exclusão são agravantes para o contexto do uso da droga no país. São causa e consequência [desigualdade e exclusão social] ao mesmo tempo.
Não podemos resolver a questão do uso de drogas sem discutir a desigualdade, a exclusão e a discriminação social", disse. Intitulado "A educação como processo de redução das vulnerabilidades relacionadas ao uso de drogas: levantamento de experiências no Brasil", o estudo foi financiado pela Comissão Européia e mostra como as instituições que realizam ações de atenção ao uso de drogas no país atuam relacionando as temáticas educação e redução de danos.
A oficial de Educação da Unesco, Maria Rebeca Otero, explicou que, no estudo, feito em 80 instituições brasileiras, foi observado que há um grande trabalho no Brasil, mas que ainda muito restrito ao campo da educação informal, focado na assistência, com ações pontuais e sem sustentabilidade. "Precisamos ter um melhor envolvimento de todo o setor de educação formal e informal, unindo sociedade civil e governos", disse Rebeca.
De acordo com o coordenador nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Pedro Delgado, o mundo passa por uma profunda revisão da política de drogas e o Brasil tem participado desta mudança de paradigma com base em duas matrizes: a dos direitos humanos associado à política de combate às drogas e à política de redução de danos.
A redução de danos é uma estratégia de saúde que busca controlar e reduzir todos os tipos de danos causados pela droga aos usuários, sejam sociais, econômicos ou à saúde. O usuário não é obrigado a abandonar, imediatamente, o uso da droga para ter acesso ao atendimento público.
Delgado afirma que há ações desenvolvidas com o ministério da educação, mas que a simples informação, ou seja, a inclusão do tema na carga horária da aula, não tem sido suficiente. "A vinculação da saúde pública com a educação é um caminho que necessita ser aprofundado, precisamos construir metodologias que sejam mais atrativas aos jovens, talvez com ações culturais e debates. A droga muitas vezes desperta o fascínio por ser um objeto proibido", destacou. O integrante do Programa Jovem de Expressão da organização não-governamental, Grupo Cultural Azulim, Carlos Lyra, de 20 anos, relatou que sua atuação no grupo foi muito importante para ele abandonar as drogas e que, na escola, não desenvolveu trabalho algum sobre o tema."O grupo me trouxe para um mundo onde pude ver coisas diferentes e este é o mundo que o jovem busca. A droga você encontra em todas as esquinas. Sem apoio e com a exclusão, fica difícil mudar", concluiu Carlos.


Matéria do site UOL de 09/12/2008 - 19h45

sábado, 6 de dezembro de 2008

Salvem os amigos do rei!!!

A agitação é muito grande nos palácios e nos porões de Brasilia para desfazer, ou pelo menos diminuir, o mal estar causado diante da opinião pública pelo desfecho da operação satiagraha. Afinal de contas está ficando cada vez mais claro que o principal punido, senão o único, será mesmo o delegado Protógenes Queiróz, por ter metido o nariz onde não devia.

Os principais membros dos poderes executivo, legislativo e judiciário e setores da grande imprensa estão aflitos e não estão se entendendo sobre o que fazer para desfazer a péssima imagem que ficou: Daniel Dantas e Naji Nahas não estão presos porque são amigos do poder e financiadores dos poderosos.

Agora é que são elas: se os processos tiverem um trâmite absolutamente normal, fatalmente acabará com a prisão de Daniel Dantas, Naji Nahas, Celso Pitta e demais membros de suas organizações criminosas pelos inúmeros crimes cometidos e fartamente documentados por Protogenes, inclusive pelos crimes de financiamento ilegal de campanhas e corrupção ativa.

Nos casos desses financiamentos de campanha e da corrupção de funcionários públicos, muita gente importante, dos três poderes, terá que dar explicações á justiça e á sociedade e isso poderá causar ainda mais constrangimento.

O desafio é muito grande e imediato: como dar uma satisfação convincente aos brasileiros sem punir os amigos criminosos e sem abalar as frágeis estruturas de nosso recente estado democrático de direito?

Uma sugestão: encarando o problema de frente, doa a quem doer, custe o que custar.


José Antonio Martins Prestes

Justiça brasileira


"Aos amigos os benefícios da lei, aos inimigos os rigores da lei."

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

É pra rir ou pra chorar???

Procuradoria é contra terceiro pedido de prisão de Daniel Dantas


O Ministério Público Federal em São Paulo se manifestou contra o terceiro pedido de prisão do banqueiro Daniel Dantas formulado pela Polícia Federal. Para a Procuradoria, o delegado Ricardo Saadi, que preside o inquérito contra o banqueiro, não reuniu fatos novos que justificassem a medida.
O juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, ainda analisará a demanda. Não há prazo para sua manifestação.
O pedido está relacionado ao inquérito da Operação Satiagraha, em que Dantas é investigado por supostos crimes financeiros. Não tem vínculo com a condenação imposta ao banqueiro na terça, quando ele foi sentenciado a dez anos de prisão e a pagar R$ 13,4 milhões de indenização e multa por ter oferecido R$ 1 milhão a um delegado para ser excluído do inquérito. Dantas irá recorrer da sentença em liberdade.
Como o Supremo Tribunal Federal concedeu dois habeas corpus ao banqueiro, autoridades do caso entendem que um terceiro pedido de prisão, sem um fato novo, seria uma afronta ao STF.
O pedido de detenção é visto como uma demanda do ministro da Justiça, Tarso Genro, e da cúpula da PF, que se empenham em desfazer a percepção de que haveria uma disposição maior em enquadrar o delegado Protógenes Queiroz, que iniciou a investigação que culminou na Operação Satiagraha, do que em punir o banqueiro.
Dentro da própria PF, esse pedido é interpretado como um jogo de cena para melhorar a imagem da instituição.
Há policiais que acreditam que o pedido foi feito para mostrar que a PF não está só preocupada com os eventuais desvios de Protógenes, mas também com os supostos crimes de Dantas.
Para esses policiais, a corregedoria da PF errou ao apreender materiais na casa de Protógenes. Ao transformar o delegado, que se apresenta como o principal investigador de Dantas, em vítima, a polícia passaria a imagem de que protege o banqueiro do Opportunity.
No documento em que faz o novo pedido de prisão, Saadi sustenta que Dantas continuou a praticar os crimes pelos quais é investigado: gestão fraudulenta e temerária, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

LILIAN CHRISTOFOLETTI e MARIO CESAR CARVALHO da Folha de S.Paulo

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Para refletir !!!

"Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome."

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Fenômeno natural ou tragédia anunciada?

Muitos cientistas que estudam os fatores climáticos de nosso planeta e suas consequências, vêm alertando a algumas décadas que a exploração irracional dos recursos naturais e a grande quantidade de poluição gerada pelas atividades humanas e lançadas no meio ambiente, estão alterando drasticamente nosso clima e trazendo consequências desastrosas para toda humanidade. Isto posto, podemos relacionar a tragédia que está ocorrendo em Santa Catarina neste momento, apesar de ter sido desencadeada pelas chuvas que castigaram a região litorânea do estado por mais de sessenta dias consecutivos, com estas alterações climáticas e consequentemente com a ação humana.

No caso específico de Santa Catarina, pode se constatar que a grande maioria dos 116 mortos registrados até esta data (02/12), foram vítimas de deslizamentos de terra; esses deslizamentos na sua imensa maioria, foram provocados pelo desmatamento de florestas para o plantio ou para a construção de moradias em encostas e morros.

Quanto aos prejuízos e as mortes provocadas pelas enchentes, também pode-se notar a ação direta do homem na tragédia, na medida em que ocorre o desmatamento das margens dos rios e o assoreamento dos mesmos, a impermeabilização do solo e o entupimento de bueiros, fica difícil, senão impossível, evitar as enchentes em regiões mais baixas.

Não se trata de culpar os catarinenses, especialmente os das áreas mais atingidas, pelas causas e pelas consequências desta tragédia, tendo em vista que o comportamento dessa população não é diferente do comportamento da maioria das pessoas do resto do país ou do planeta, o fato ocorrido aqui poderia ter ocorrido em outras regiões com características climáticas e geográficas semelhantes, desde que esses mesmos fatores se alinhassem.

Os cientistas e também os ambientalistas alertam ainda que estas catástrofes se repetirão cada vez com mais frequência e com mais força, caso não revertamos urgentemente esse processo de destruição e de poluição promovido nos quatro cantos do planeta.

Afinal, quantas tragédias ainda serão necessárias para que nós mudemos a forma de nos relacionar com o nosso planeta e passemos a respeitar as suas limitações e as suas leis?
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José Antonio Martins Prestes