terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Os muros de Berlim (em tempo)

Caros colegas das ciências sociais, confesso que fiquei um pouco
decepcionado hoje, dia 09/11/2009, quando ninguém lembrou em sala de
aula, dos vinte anos da “queda” do famigerado muro de Berlim, coloquei
a palavra queda entre aspas por que talvez não seja a mais
apropriada, uma vez que o muro foi literalmente derrubado pelo povo
das duas Alemanhas - diante das câmaras de televisão - que
transformaram o ato em um grande espetáculo.
Gostaria, antes de falar da queda ou da derrubada, falar da sua
construção como uma obra da engenharia política que se construiu no
pós-guerra, originário do terrorismo da guerra-fria e seus
significados.
Os países aliados, vencedores da 2ª guerra, capitaneados pelos Estados
Unidos, Rússia, Inglaterra e França, decidiram dividir o mundo em dois
blocos, duas ideologias, duas correntes filosóficas, dois sistemas
políticos, e usaram o medo do conflito nuclear para justificar suas
atrocidades. O demônio estava estabelecido, o medo era geral, cabia
então aos Estados Unidos é á URSS, tutelar e controlar o mundo do
jeito que mais lhes aprouvessem.
No lado comunista, vários milhões de pessoas foram perseguidas,
condenadas sem direito a defesa e mortas em nome da construção de uma
sociedade mais justa e igualitária, no lado capitalista, vários
milhões de pessoas foram também perseguidas, presas, torturadas,
condenadas á miserabilidade, á fome e ao desprezo, em nome da
liberdade, da igualdade, da fraternidade e da conservação
inquestionável da propriedade privada. O mesmo muro que dividiu
irmãos, pais e filhos, amigos de infância, também dividiu a
humanidade.
Em nome da preservação da vida no planeta, se construiu uma corrida
armamentista e inúmeras guerras e conflitos regionais, que condenaram
várias nações ao subdesenvolvimento, á dependência das grandes
potências protetoras e ao enriquecimento destas, quase como uma taxa
pela manutenção da “paz mundial” e da vida no planeta.
Documentos secretos, recentemente divulgados, dão conta de que os
grandes defensores da liberdade, Estados Unidos, Inglaterra e França
eram totalmente contra a reunificação da Alemanha, alegando que ela
colocaria em risco a suas hegemonias no mundo e na Europa, enquanto
essas mesmas nações, discursavam contra a sua manutenção.
Pois bem colegas, junto com o muro de Berlim, foram construídos vários
outros muros, muito mais altos, mais extensos e mais difíceis de serem
derrubados: o muro do medo, o muro da ignorância, o muro da alienação,
o muro da mídia, o muro das drogas, os muros e grades de nossas casas
e por fim, o muro do individualismo.
Esses muros não cairão por si só, assim como o muro de Berlim, teremos
que derrubá-los um a um.

José Antonio Martins Prestes

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