segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Eleições municipais

É fato que nossa cultura, nosso sistema e nossa legislação político-eleitoral empurram-nos a eleger políticos corruptos, inconsequentes e incompetentes, sistematicamente. Para confirmar isso, basta ficarmos atentos ao grande número de prefeitos e de vereadores que serão eleitos ou re-eleitos no próximo dia 5 de Outubro, apesar das suas fichas sujas, da ignorância ou da insensibilidade com a coisa pública que muitos possuem.

Embora pareça absurdo, a imensa maioria dos candidatos a vereador não sabe quais são as funções constitucionais de um edil ou mesmo sabe o que são e para que servem, a lei orgânica ou o regimento interno da câmara de vereadores de seus respectivos municípios.

A enxurrada de mentiras e promessas vagas, a inconsistência das propostas e os espetáculos de bizarrices e comédias vistos nas propagandas eleitorais, especialmente pela televisão; revelam o baixíssimo nível, não só dos candidatos, mas especialmente dos partidos que os referendam e que não os qualificam sequer para evitar que se exponham ao ridículo.

Se não podemos alterar num curto prazo os fatores culturais que tanto nos prejudicam, que tenhamos pelo menos a atitude de questionar e de discutir nosso sistema e nossa legislação eleitoral, buscando formas de evitar esses absurdos e suas consequências, por demais conhecidos e previsíveis.

Esse papel tem que ser exercido pela sociedade civil organizada (não pelos políticos carreiristas que aí estão), em todos os municípios brasileiros, o mais urgente possível.

José Antonio Martins Prestes

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Para refletir!!! (03


"Talvez seja a política a única profissão para a qual ninguém julga necessário o preparo"


R. L. Stevenson

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Corrupção, miséria e democracia.

Analisando a lista da corrupção editada ontem no site da ONG Transparência Internacional, resolvi compará-la com o IDH das Nações Unidas e acabei constatando o óbvio: que os países mais corruptos do planeta também são os mais pobres, ou seja, que corrupção e miséria andam de mãos dadas, que são faces de uma mesma moeda.
Uma outra constatação quase ridícula foi que entre os países mais pobres, não existe democracia, são países que vivem em conflitos internos ou sob intervenção estrangeira ou ainda sob ditaduras ferrenhas. Figuram entre os 10 países mais pobres e corruptos do mundo: Congo, Guiné Equatorial, Chade, Sudão, Afeganistão, Haiti, Iraque, Miamar e Somália.
O Brasil está em 70º na lista do IDH e em 80º na lista da corrupção, ficando atrás de países como o México, o Uruguai, o Chile e a Costa Rica, nas duas listas.
Como poderíamos explicar um país que tem a maior economia da América Latina e a 9ª economia do planeta, que possui produção e exportação tão diversificadas que exporta deste soja in natura a aviões executivos, que possui a 5ª extensão territorial do planeta e tem entre 15 e 20% de toda sua biodiversidade, apresente índices de corrupção e miséria tão altos?
Tenho uma série de explicações para esse fenómeno: temos um país de fato tão rico quanto injusto; nosso sistema educacional beira o caos apesar dos discursos sistemáticos enfatizando a importância da educação para corrigir as desigualdades e fomentar o desenvolvimento social; as sequelas dos recentes regimes ditatoriais ainda produzem seus efeitos nefastos, e assim por diante...
Porém, o grande vilão de nosso atraso social está em nosso sistema político eleitoral que tem como combustíveis: o assistencialismo aos mais pobres, a prestação de favores aos membros das classes médias e a corrupção favorecendo as elites. Sendo assim, fica evidente que uma reforma política decente, com ênfase na política eleitoral a princípio desagradaria a todos, daí a grande dificuldade para realizá-la.
Apesar desta dificuldade, mais cedo ou mais tarde teremos que discuti-la e iniciá-la, sob pena de continuar onde estamos e como somos. Um país rico de povo pobre.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Para refletir!!! (02)

"São tão simples os homens e obedecem tanto às necessidades presentes, que quem engana encontrará sempre alguém que se deixa enganar."

Maquiavel.

Voto obrigatório ou facultativo?

Ao ver a propaganda política eleitoral na TV, meu filho mais velho (Rafael de 16 anos) fez uma observação comum, porém muito interessante: "...Um país que se diz democrático e livre, não poderia ou pelo menos não deveria obrigar um cidadão a votar, isso é no mínimo contraditório...".

De fato o que temos no Brasil ainda não é uma democracia, tão pouco podemos dizer que vivemos em um país onde todos gozam de plena liberdade. O verdadeiro estado democrático de direito com as garantias fundamentais (individuaus e coletivas) ainda precisa ser construído e consolidado por aqui e esse é um desafio gigantesco que mais cedo ou mais tarde, precisaremos enfrentar.

Votar é um ato de cidadania e deveria ser exercido apenas por aqueles que querem fazê-lo, assim como a liberdade de se abster é um direito individual que teria que ser respeitado sem qualquer questionamento.

José Antonio Martins Prestes.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Para discutir!!! (01)

"Político de sucesso é aquele que consegue discurssar para o povão e governar para as elites, isso implica necessariamente em entender as necessidades dos mais pobres e atender os interesses dos mais ricos".

José Antonio Martins Prestes

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Para refletir!!! (01)


"Em política os remédios brandos agravam freqüentes vezes os males e os tornam incuráveis."

(Marquês de Maricá).

domingo, 14 de setembro de 2008

O querer, o saber e o poder.

Construir um mundo melhor, a partir da constatação de que o que temos não nos agrada, não é somente uma questão de vontade política ou de sabedoria administrativa, é acima de tudo uma questão de poder fazer.

Ao pensarmos o Brasil e o planeta que queremos para nós e para os nossos filhos, precisamos refletir quais são, onde estão e como se estruturaram e se estruturam as bases que definem este poder.

Se a realidade que temos e as perspectivas apresentadas não nos é interessante, me parece lógico que devemos começar a pensar, a discutir e a refletir sobre que nova realidade e que novas perspectivas queremos, saberemos e efetivamente poderemos construir.

Afinal, quais seriam os primeiros passos? Que caminhos deveriam ser percorridos? Quais e quantas seriam as fases necessárias? Que ferramentas poderiam ser utilizadas? Com que perspectiva de tempo e trabalhariamos? Quais seriam os custos e os riscos envolvidos? Quem seriam os maiores opositores ás mudanças e quais seriam as suas reações? Quem faria o que? e assim por diante...

O objetivo deste blog é o de construir as condições intelectuais para essa mudança. Todos aqueles que puderem e quiserem contribuir serão muito bem recebidos, muitíssimo obrigado.
José Antonio Martins Prestes.