domingo, 27 de setembro de 2009

Enfiando os pés pelas mãos.

Definitivamente sou contrário a golpes de estado e a regimes militares de direita ou de esquerda. Odeio Ditaduras, seja a de Zelaya ou a de seus inimigos, seja de Hugo, seja de Fidel ou de Obamas, para mim, isso é um retrocesso.
Confio na democracia e no estado democrático de direito, por pior que sejam.
Mas daí a sair defendendo o Sr. Zelaya, como se fosse um coitadinho vítima de um mostro, é no mínimo desconsiderar que esse cidadão não passa de um projeto de ditador, que pretendia se manter no poder em detrimento da constituição do seu país e que a sua deposição foi constitucional.
A meu ver o Brasil foi extremamente infeliz e inoportuno em comprar uma briga, totalmente desnecessária, e que pode nos custar muito, na medida em que intervir em assuntos internos (na soberania) de outras nações, disputar a liderança da América Latina demonstrando "superioridade" econômica e militar, não contribui em nada com a unidade que precisamos construir entre os latino americanos.
Quando perguntaram ao Roosevelt qual foi a medida mais importante que ele havia tomado para tirar os EUA da crise de 29 ele disse: Na maioria das vezes os problemas se resolveram por si só, e o melhor que fiz, foi não ter feito nada.

Como Brasileiro reprovo a intromissão do Brasil em Honduras.

José Antonio Martins Prestes

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Das ciências naturais ás humanidades


Nós, seres humanos, temos uma tendência cultural de criar e estabelecer “verdades absolutas” e a partir daí, acreditar fielmente nelas, a ponto de defendê-las por muito tempo, ás vezes a qualquer custo.
Desenvolver uma nova “verdade”, um novo modelo, um novo conceito, uma nova trajetória, um novo objetivo, significa, no mínimo, estar disposto a passar pela instabilidade, pela provação, pelos incômodos e infortúnios desta nova proposta.
Isto é evidentemente um grande incômodo, porque concordar é sempre mais fácil do que discordar. Aceitar as coisas como elas sempre foram, é infinitamente mais confortável e seguro do que discordar, pois o ato (ou a omissão) de aceitar, não implica em praticamente nenhum esforço, risco ou exercício. Aceitar uma “verdade estabelecida”, nadar a favor da corrente, exige pouco ou nenhum esforço.
Discordar de uma “verdade” ou de uma idéia estabelecida por muitos, durante muito tempo é, portanto, exatamente o contrário. Exige inicialmente um grande esforço reflexivo, um profundo exercício de questionamento e posteriormente uma coragem para expor essa nova idéia, esse novo caminho, esse novo objetivo.
Afinal de contas, onde a “verdade” estabelecida está errada? Porque ela não responde mais as necessidades e/ou os interesses daqueles que a estabeleceram ou a adotaram? As falhas ou limitações encontradas comprometem-na parcialmente ou totalmente? A tal ponto que basta uma reforma para resolver a questão? Ou a inviabiliza por completo, a tal ponto que seja necessário estabelecer uma “verdade” ou um caminho totalmente novo? Como as pessoas envolvidas diretamente ou atingidas por elas reagiriam? Elas estariam dispostas a mudar? Quais os preços e quem seriam os responsáveis pelos pagamentos?
Ao constatar que a “verdade” estabelecida não responde mais satisfatoriamente aos anseios dos envolvidos, passa-se então a buscar as mesmas respostas e a mesma satisfação na nova proposta, ou seja, as perguntas não respondidas pela verdade vigente, agora terão que ser respondidas por uma nova proposta. Para isso é necessário um grande exercício de reflexão, estudos e até mesmo experiências empíricas, para o auto-convencimento de que a “verdade” proposta seja, realmente melhor que a verdade atualmente estabelecida.
Portanto, o cidadão ou os cidadãos que se propõem á tarefa tão árdua, precisam não só de disposição, mas também de muita coragem para sair da zona de conforto da aceitação e criar uma nova alternativa que suplante a verdade estabelecida.
Após essa fase, passa-se á produção da argumentação e da difusão da idéia para o convencimento de outras pessoas. Inicialmente, ás mais próximas e mais favoráveis, posteriormente ás menos resistentes e, finalmente, a aquelas que seriam totalmente refratárias as mudanças. Mesmo entre aqueles que supostamente seriam favoráveis as mudanças, pode haver uma inesperada rejeição a nova proposta, ou entre os que seriam menos favoráveis ou mais resistentes, pode haver hostilidades, por isso, é preciso estar preparado para tais reações.
Portanto, a coragem é um atributo necessário áqueles que ousam discordar das “verdades” estabelecidas e propor outros caminhos.
Assim foi com Galileu Galilei, quando ousou defender diante da Santa Igreja Católica, em 1616, o sistema heliocêntrico, ou com Karl Marx, quando contestou o capitalismo burguês e propôs a ditadura do proletariado, nos meados do século XIX. O primeiro foi condenado a negar publicamente as suas idéias e os resultados de seus estudos, além da prisão por tempo indefinido. O segundo abdicou por conta própria, a uma vida confortável de pequeno burguês, para uma rotina de perseguições, expulsões, privações e humilhações, na medida em que para sobreviver, em determinados momentos de sua vida, precisou da ajuda caridosa de amigos e seguidores.
A imensa maioria daqueles que ousam discordar das “verdades” estabelecidas e apresentar outras propostas, por mais densas, embasadas e justificáveis que sejam, correm um sério risco de não terem o seu trabalho e o seu esforço reconhecidos em sua própria época, deixando de experimentar o doce sabor do reconhecimento, da boa fama e até mesmo da fortuna, muito pelo contrário, muitos morrem abandonados, desprestigiados, esquecidos e pobres. Assim aconteceu com Maquiavel e até mesmo com Cristóvão Colombo.
A proposição de um novo método, de um novo caminho e até mesmo de um novo objetivo, passa necessária e inicialmente, por um processo imaginativo e ideológico, antes de se materializar em um estudo, um discurso, um projeto e finalmente em uma prática. Portanto, a constatação de que uma “verdade” não mais atende as necessidades e os interesses daqueles que com ela estão envolvidos ou por ela são atingidos, conduz necessariamente, a um processo imaginativo de alternativas que solucionem os problemas apresentados e possam se transformar em projetos viáveis e exeqüíveis.
Neste ponto reside uma questão fundamental para aqueles que buscam solucionar problemas reais, com soluções ideais. Não tendo a capacidade de determinar todas as variáveis, limitações e interesses envolvidos, muitos ideólogos produzem propostas sem a menor condição de serem realizadas naquelas circunstâncias e época. Por essa razão, a ideologia ou o idealismo, no sentido da busca pela resposta ideal a todos os problemas, perdem espaço para as propostas possíveis, mas que representem avanços ou mudanças diante das questões apresentadas.
Isto posto, as propostas com maior probabilidade de serem aceitas são aquelas que pareçam ser as mais exeqüíveis, ou seja, entre o ideal e o possível, é muito mais aceitável a segunda proposta. Daí, principalmente no campo das humanidades a ansiedade e a euforia, acabam dando lugar a frustrações, mesmo que elas representem avanços importantes.
Como a maioria daqueles que estão a muito tempo envolvidos com as “verdades” estabelecidas tornam-se praticamente cegos diante de outras possibilidades, é compreensível que os espíritos jovens sejam os produtores dos novos caminhos, de certa forma o processo evolutivo é irremediavelmente inevitável e ele será produzido por estes espíritos jovens, como disse o poeta Belchior: “...o novo, o novo sempre vem...”
O processo de convencimento para a aceitação de uma nova “verdade” está muito mais relacionado com a falência das verdades estabelecidas e com seus prejuízos, do que necessariamente com a idéia de inovação da nova verdade proposta ou de suas vantagens comparativas, uma vêz que, de uma forma geral a sociedade é conservadora e dominada por elites que pensam, agem e reagem, quase que exclusivamente movidas por interesses específicos e imediatos. Na esteira deste raciocínio, mesmo que as mudanças sejam propostas de baixo para cima, elas serão, invariavelmente aceitas e implementadas de cima para baixo. Ou seja, são as elites que definem, em última instância, se continuam com as “verdades” estabelecidas, se as reformam ou se as revogam definitivamente em detrimento de uma nova “verdade”.
Na medida em que esta nova “verdade” é aceita e estabelecida, busca-se novamente uma situação de equilíbrio e de normalidade. E sob esta nova concepção, pretende-se resolver os velhos problemas.
É interessante pensar que, tanto nas ciências naturais, quanto nas humanidades, não existem verdades absolutas, nem respostas prontas para todos os problemas, ou ainda propostas que satisfaçam a todos; por isso, a rotina de lidar com conflitos, deve ser encarada como um processo normal e corriqueiro.
Outro fator importante que deve ser lembrado é o caráter de escolha da nova “verdade” a ser estabelecida, quando se apresenta mais de uma opção. Uma vês que o novo caminho a ser seguido ou o novo objetivo a ser atingido respeitará sempre a visão dos grupos dominantes entre todos os envolvidos na questão, são as elites que tomam essa decisão. Neste processo o critério democrático ou racional sempre perderá importância diante dos interesses do grupo dominante. Observamos aí, claramente um viés conservador, mesmo se tratando de um processo de mudança. Ainda dentro deste caráter conservador, as elites procuram sempre restringir as mudanças ás mínimas necessárias, para a manutenção do status quo.
Outro fator importante a ser lembrado, é a idéia de que a escolha de um novo caminho, de uma nova “verdade” ou de um novo objetivo, tem muito mais um caráter de crença na nova proposta do que em qualquer sistema que garanta empiricamente o resultado positivo da escolha. Isso faz com que algumas mudanças sejam sucedidas imediatamente de outras mudanças, até que se encontre uma alternativa satisfatória, um novo ponto de equilíbrio, uma nova normalidade, especialmente para os grupos dominantes.


José Antonio Martins Prestes

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Afinal, qual é o Brasil que queremos?


Famílias encolhem, brasileiro vive mais e fica "mais pardo"; país tem 5 milhões de mulheres a mais que homens

Em que aspectos o Brasil mais precisa melhorar?


Famílias menores, mais gente morando só e mais pessoas que se declaram de cor parda. Os brasileiros vivem cada vez mais, principalmente as mulheres, que ainda são maioria na população: há 5,1 milhões de mulheres (quase uma população do Paraguai, que é de 6 milhões de pessoas) a mais do que homens. Essas são algumas das conclusões da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), divulgada hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).


A pesquisa serve como um retrato do Brasil em números. Pnad: o perfil do brasileiro

Mais domicílios possuem máquina de lavar e microcomputador; veja o quadro do país e por Estado.




Uma boa notícia: o trabalho infantil caiu acentuadamente na faixa entre 5 e 13 anos de idade.


Nesse período da vida, no qual o trabalho é considerado ilegal no Brasil, houve queda de 19,2% em um ano (de 2007 para 2008, ano em que a pesquisa divulgada hoje foi feita) na quantidade de crianças e adolescentes com ocupações remuneradas ou não remuneradas. Mas ainda há 883 mil crianças e adolescentes de 5 a 13 anos trabalhando no Brasil.


O brasileiro está um pouco mais "endinheirado".


O rendimento médio dos brasileiros que têm ao menos um trabalho remunerado cresceu, em 2008, 1,7% acima da inflação e atingiu R$ 1.036, no quarto ano seguido de aumento. Em 2007, o valor estava em R$ 1.019. A média de renda vem aumentando pelo menos desde 2004, mas o ritmo de crescimento passou a diminuir a partir de 2006. No ano passado, a alta foi a menor desde 2005.


5,1 milhões é o total de mulheres a mais que homens na população brasileira. Leia mais


O aumento da renda se reflete no acesso a bens de consumo.


No Brasil, 82,1% das pessoas têm telefone. Sinais dos tempos modernos é o declínio da telefonia fixa: mais de 40% das casas de quatro regiões do Brasil têm apenas celular para fazer ligações.


Computador é outro item que aparece em cada vez mais residências pelo país: já são 31,2% os domicílios com computador (um ano antes eram 26.5%), e 23,8% os que têm acesso à internet.


Mas os números mostram que alguns problemas que parecem ser do passado persistem em pleno século 21: moradores 9,2 milhões de residências ainda dependem de poços, nascentes, carros-pipa ou da chuva para beber água, cozinhar e tomar banho. Já cerca de 2,2 milhões de casas não contam com nenhum tipo de escoamento para o esgoto.


O índice de analfabetismo do país caiu pouco. O Brasil ainda tem 14,2 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais. Um em dez brasileiros com 15 anos ou mais não consegue ler ou escrever um bilhete simples. A taxa de analfabetismo divulgada neste ano na Pnad é de 10%, dado semelhante ao ano passado, quando a taxa ficou em 10,1%.





Do UOL Notícias Em São Paulo.