segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Vivas á CORRUPÇÃO

ACM Neto, o corregedor da Câmara, foi competentissimo na sua função: absolutamente nenhum dos 102 escândalos de corrupção do ano no congresso gerou alguma punição. Um ano que começou com José Sarney e esta terminando com o Michel Temer, na lista da turma que usa o cargo público para fins particulares. Afinal, não foi á toa a escolha da cria do velho, "bom" e saudoso ACM. Definitivamente uma fruta não cai longe do pé.

Todos estão de parabéns: o Arruda, o Prudente, o deputado do Castelo, a Mendes JR, o Agaciel, a Yeda e companhia ilimitada...

Mas parabenizo, especialmente, nesta minha última postagem do ano, o povo brasileiro, pela sua cordeirice, pela sua passividade e pela capacidade que temos, de receber a fatura e pagar a conta, sem dar um pio.

Até 2010, ano de eleição e de muito mais corrupção.

INFELIZMENTE!!!!!!!!!!!!!!!!!

José Antonio Martins Prestes

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Burríce eleitoral

Não costumo tratar de hipóteses nem de tendências, tenho um gosto declarado pelos fatos, definitivamente especular não é o meu forte, mas não resisti á tentação quando li duas notícias publicadas hoje, 07/12/09, no Uol Notícias, sobre a corrida presidencial de 2010.
A primeira da conta do fenômeno político chamado Luiz Inácio Lula da Silva, que no final de seu sétimo e penúltimo ano de mandato no governo federal, conta com mais de 83% de aprovação dos brasileiros, vamos combinar, isso não é pouca coisa. A segunda notícia é a possível aliança entre o PV da Senadora acreana Marina Silva, e o Psol, da vereadora alagoana Heloísa Helena, de arrasto estão aí o PSTU, o MST e o PCB.
O Psol e companhia limitada estão condicionando o seu precioso apoio ao PV, a uma oposição programática e sistemática aos programas neoliberais do PT, do PSDB e do Dem.
Apesar do respeito e da admiração que eu tenho pela ex-Senadora Heloísa Helena - os deputados federais e senadores do seu Psol, não são suficientes para lotar um fusca, nas últimas eleições municipais elegeram menos de 30 vereadores em todo Brasil, num universo de quase 57 mil legisladores municipais, sendo um deles, a própria HH, que se elegeu para a câmara municipal de Maceió - é uma burrice, fazer uma campanha eleitoral com o restritíssimo e desgastado discurso de que tá tudo errado e estamos caminhando para o caos.
Quanto á brilhante Senadora Marina Silva, ela teria que explicar por quê fez parte, durante tanto tanto tempo, de um governo tão ruim e danoso para o povo brasileiro. Não será fácil.
Vão aqui, não conselhos, mais alguns pedidos a essas duas grandes brasileiras, o primeiro á HH: _ sua presença no Senado Federal é fundamental para que essa instituição política recupere um mínimo de dignidade e honradez, portanto sua candidatura ao mesmo, não só é viável, como é fundamental pra todos nós. O segundo pedido é para a Senadora Marina Silva: _ o seu discurso de equilibrar o desenvolvimento econômico com o desenvolvimento social, ecologicamente sustentáveis, pode não levá-la á presidência da república, mas colocará o tema na ordem do dia e estabelecerá um contraponto importantíssimo ao unilateralismo do desenvolvimento econômico a qualquer custo, isso não só é oportuno e importante, mas é, extremamente urgente.
Por último, um pedido ás duas: separadas vocês podem se ajudar muito mais que unidas.

José Antonio Martins Prestes

domingo, 6 de dezembro de 2009

BRASILIA É UM MONUMENTO A CORRUPÇÃO.

Tenho insistido em meus escritos que a corrupção é uma regra na política brasileira, não sua excessão. Não preciso sequer de muito esforço para provar o que digo: um país com a oitava economia do planeta (caminhando para a quinta, segundo a ministra presidenciável Dilma Roussef), está em octagéssimo lugar no ranking da corrupção mundial segundo a ONU (lista dos menos aos mais corruptos). O fato envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, não é um fato isolado, nem a quadrilha liderada por ele começou a roubar ontem, vem, no mínimo, da fundação de Brasília, que aliás foi construída sob a égide da corrupção. BRASÍLIA É UM MONUMENTO A CORRUPÇÃO. É preciso lembrar que a corrupção não é um previlégio dos brasileiros, mas que no Brasil, existe um processo perigosissimo de institucionalização da corrupção.

José Antonio Martins Prestes

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

E o planeta, como está?

Bangladesh: um país de refugiados climáticos

Em Bangladesh, com sua elevada densidade populacional e pouca altitude, o aumento do nível do mar obrigará 20 milhões de pessoas a emigrar


"O mar já engoliu duas vezes minha casa", conta Jalal Ahmed, enquanto mostra sua terceira moradia, uma humilde choça de vime e bambu, sem água corrente nem eletricidade, a cuja borda as ondas já chegam. Esse homem de longa barba branca é testemunha de como a bela ilha onde ele viveu toda a sua vida, Kutubdia, no sudeste de Bangladesh, foi perdendo terreno para o oceano.

A ilha perdeu no último século 65% do que um dia foi seu território de 250 quilômetros quadrados. O problema é a rápida erosão causada pelo ciclones, as tempestades e inundações que se aceleraram recentemente, com grande probabilidade devido à mudança climática, como concordam os especialistas.

Jalal aponta com tristeza para o mar. Lá, a algumas centenas de metros da costa, ficava sua casa anterior, que foi arrebatada pela água há cerca de cinco anos. Mais além, a anterior, perdida há cerca de 15 anos, e muito, muito mais além estava a casa de seus avós, onde tinham terra para plantar.

Hoje essa terra é um bem extremamente escasso e cobiçado. Há tão pouca e com tanta gente que, como Jalal, os que antes eram agricultores se tornaram pescadores ou empregados das salinas. "Eu gostaria de poder ir embora, como vão os que podem: os que têm dinheiro", lamenta Jalal. Ele lembra que depois de um ciclone devastador em 1991 mais de 400 famílias deixaram Kutubdia de uma vez. Assim, mais de 60% de seus habitantes emigraram para cidades em terra firme.

Foram construídos diversos diques para tentar lutar contra o mar, mas foram inúteis. O atual dique, com partes de tijolo e outras de sacos de areia, está destruído em muitos trechos. Esta ilha é o exemplo mais palpável de que neste pobre país do sul da Ásia é onde as pessoas mais sofrerão os efeitos da mudança climática. As condições do país, um delta com mais de 200 canais e com pouca elevação, faz com que a qualquer aumento do nível do mar as pessoas percam suas propriedades ou seu meio de vida. A terra agrícola se saliniza, sobretudo no litoral superpovoado. A situação se agrava por serem mais de 160 milhões de habitantes e com uma das maiores densidades do mundo, cerca de 1.110 pessoas por quilômetro quadrado.

Assim, em Bangladesh 20 milhões de pessoas poderão ser desalojadas até 2050 pelos efeitos do aquecimento global, que deixaria 17% da superfície do país embaixo d'água, adverte o Banco Mundial. Outros especialistas afirmam que se as piores previsões se cumprirem até 35 milhões de bengaleses perderiam suas casas e suas formas de sustento. São chamados de "refugiados climáticos".

No entanto, Jalal e seus vizinhos sabem muito pouco, ou nada, sobre o aquecimento global. Não sabem por que o mar está subindo e ameaçando sua vida. Só conseguem dizer que "tudo está nas mãos de Alá". Mas nem todo mundo acredita nisso em Bangladesh. Os especialistas e o governo dizem claramente que o aquecimento foi criado pelos países ricos. Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo, só contribui com 0,1% das emissões de dióxido de carbono globais. Cada bengalês produz 0,3 tonelada por ano, diferentemente das 7,6 de um espanhol ou 20,6 de um americano.

"As pessoas que estão perdendo seus lares têm direito a ir para os países ricos." É o que afirma Atiq Rahman, diretor do Centro de Estudos Avançados de Bangladesh (BCAS na sigla em inglês). "Vou com vários milhões de desalojados para países como Holanda e EUA e lá exigiremos que lhes deem casa e trabalho: não por caridade, mas por merecida indenização", ele diz com absoluta seriedade.

Rahman é provavelmente a pessoa com maior peso na questão da mudança climática no país: assessor do governo, o representará na cúpula de Copenhague e também é membro do IPCC. Em 2008 ele ganhou o prêmio ambiental Campeões da Terra da ONU. Na cúpula, Bangladesh pedirá que os países ricos reduzam suas emissões e que forneçam fundos para compensar os efeitos que já está sofrendo, como um dos países mais vulneráveis.

Além dos refugiados, a mudança climática está trazendo outros problemas para Bangladesh. Os ciclones são mais frequentes e mais devastadores, indica Rezaul Karim Chowdhury, diretor da ONG para o meio ambiente COAST. Um relatório do Programa da ONU para o Desenvolvimento indicou que 60% das 250 mil mortes por ciclones no mundo entre 1980 e 2000 foram em Bangladesh. E para os afetados é difícil recuperar-se: ainda hoje continuam 35 mil desalojados pelo Aila, que atingiu as costas do país em maio.

As doenças aumentaram: mais diarréia, mais malária e chegou a dengue, que não existia há 15 anos. Também devido às chuvas mais instáveis e à salinização do terreno, os alimentos serão cada vez mais escassos e caros, indica Chouwdhury. "Os mais afetados são os mais pobres dos pobres: os que têm as casas mais precárias, os que não têm economias para sobreviver e têm poucas formas de evitar um desastre", diz o encarregado de política da Oxfam Bangladesh, Ziaul Hoque Mukta.

Assim, as grandes cidades estão recebendo milhares de refugiados. Por exemplo, na capital do país, Dhaka, a metade da população vive em favelas. Muitos deles são famílias de desalojados com poucos recursos para levar seus filhos à escola e com trabalhos precários, como conduzir bicicletas-táxis. Jalal diz que em breve, quando sua terceira choupana voltar a ser submersa, construirá outra com bambu e plásticos em um terreno mais elevado no interior da ilha. E assim cada vez que a água o alcançar. Mas em Kutubdia não resta muito espaço. O que fará quando não puder se mudar? "Finalmente terei de ir para a terra firme e deixar esta ilha onde nasci", lamenta.


Ana Gabriela Rojas de El País
Em Kutubdia, Bangladesh


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Transcrito do UOL Notícias de 03/12/2009

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Mãos ao alto!!!!!

Infelizmente o caso do governador José Roberto Arruda do Distrito Federal não é uma exceção, é uma regra na política brasileira. Eu diria até que é uma regra inquebrável, que ocorre em todos os estados, em todos os municípios (dos menores aos maiores), e também e principalmente, no governo federal. Obviamente que as dimensões não são as mesmas, o número de envolvidos varia e as quantias são proporcionais e circunstanciais.
As campanhas políticas no Brasil são caríssimas, os votos que fazem a diferença têm que ser literalmente comprados, isso custa muito dinheiro e alguém tem que pagar a conta, o esquema é simples: os empresários envolvidos financiam os candidatos, que depois de eleitos direcionam os contratos públicos SUPERFATURADOS para os seus financiadores.
Para o esquema funcionar, tem que haver o envolvimento tanto dos candidatos ao poder executivo, (que têm efetivamente a chave do cofre público), quanto o envolvimento dos principais candidatos ao legislativo, que depois de eleitos, loteiam as secretarias de governo ou os ministérios, colocando nelas, pessoas de sua confiança. De suas cadeiras nos legislativos, esses políticos dão sustentação jurídica e política ao esquema. Em alguns casos mais sofisticados, membros dos tribunais de conta e do poder judiciário também são envolvidos.
A nossa lei de licitações e contratos, que na sua essência e na sua intenção é muito boa (intenção daqueles que a redigiram), permite que os esquemas sejam montados com muita facilidade.
Vejamos um caso concreto:
Numa das maiores cidade do Brasil, 13 empresas subsidiárias das maiores empreiteiras do país controlam o recolhimento, o transporte e a destinação de todo lixo residencial, comercial, industrial e hospitalar, de mais de 11 milhões de habitantes. São contratos milionários. Essas empresas reunidas em uma associação carinhosamente chamada de treze irmãs, financiam todos, eu disse todos, os candidatos a prefeito com o mínimo de chance de se eleger; bem como as campanhas dos principais candidatos a vereador, especialmente daqueles com chances reais de se re-eleger (nesse caso são financiados preferencialmente os candidatos que já fazem parte do esquema, ou um ou outro, com ótimas chances de se eleger, e que se dispõe a se vender).
Nas concorrências públicas para se definir que empresa vai trabalhar numa determinada área da cidade, as treze irmãs se reúnem e definem quem vai ganhar o contrato e quais serão os valores praticados. Como a legislação obriga a concorrência aberta para qualquer empresa do Brasil, as empresas que não fazem parte do esquema não conseguem ser “aprovadas” nos critérios técnicos, jurídicos, etc., que são controlados pelos políticos.
Caso alguma empresa consiga furar o bloqueio inicial, as treze irmãs se reúnem, escolhem uma para fazer o trabalho, até de graça se for o caso, de forma que o esquema continue em suas mãos.
Quem resolver bater de frente nessa estrutura, simplesmente morre, desaparece. Existem pessoas especializadas neste tipo de serviço.
Esse esquema se repete nas concessões, nas obras, nos fornecimentos de produtos e serviços, etc.
Como temos eleições a cada dois anos, os esquemas funcionam continuamente, independentemente do período, é claro que, nos chamados períodos eleitorais, ele se intensifica e até se escancara, de forma que alguns casos acabam vazando para a mídia.
Nosso sistema político, uma espécie única de presidencialismo de coalizão, associado a uma legislação eleitoral atrasada e "ineficiente", se não são as causas, criam as condições ideais para que esse esquema de corrupção se reproduza, na união, nos municípios, e em todos os estados e poderes públicos.
Como são os políticos, os responsáveis pelas mudanças nas leis que regulamentam o sistema político, as leis eleitorais e a própria lei de licitações e contratos, entre todas as outras, somos todos reféns dessa corrupção endêmica.

A sociedade civil organizada e mobilizada é a única força capaz de fazer frente a essa situação, vivemos, infelizmente, uma espécie de paralisia social e moral, nossa reação tem sido, no máximo, uma indignação individual e passiva, sem sequer tirar a bunda do sofá.



José Antonio Martins Prestes

Os muros de Berlim (em tempo)

Caros colegas das ciências sociais, confesso que fiquei um pouco
decepcionado hoje, dia 09/11/2009, quando ninguém lembrou em sala de
aula, dos vinte anos da “queda” do famigerado muro de Berlim, coloquei
a palavra queda entre aspas por que talvez não seja a mais
apropriada, uma vez que o muro foi literalmente derrubado pelo povo
das duas Alemanhas - diante das câmaras de televisão - que
transformaram o ato em um grande espetáculo.
Gostaria, antes de falar da queda ou da derrubada, falar da sua
construção como uma obra da engenharia política que se construiu no
pós-guerra, originário do terrorismo da guerra-fria e seus
significados.
Os países aliados, vencedores da 2ª guerra, capitaneados pelos Estados
Unidos, Rússia, Inglaterra e França, decidiram dividir o mundo em dois
blocos, duas ideologias, duas correntes filosóficas, dois sistemas
políticos, e usaram o medo do conflito nuclear para justificar suas
atrocidades. O demônio estava estabelecido, o medo era geral, cabia
então aos Estados Unidos é á URSS, tutelar e controlar o mundo do
jeito que mais lhes aprouvessem.
No lado comunista, vários milhões de pessoas foram perseguidas,
condenadas sem direito a defesa e mortas em nome da construção de uma
sociedade mais justa e igualitária, no lado capitalista, vários
milhões de pessoas foram também perseguidas, presas, torturadas,
condenadas á miserabilidade, á fome e ao desprezo, em nome da
liberdade, da igualdade, da fraternidade e da conservação
inquestionável da propriedade privada. O mesmo muro que dividiu
irmãos, pais e filhos, amigos de infância, também dividiu a
humanidade.
Em nome da preservação da vida no planeta, se construiu uma corrida
armamentista e inúmeras guerras e conflitos regionais, que condenaram
várias nações ao subdesenvolvimento, á dependência das grandes
potências protetoras e ao enriquecimento destas, quase como uma taxa
pela manutenção da “paz mundial” e da vida no planeta.
Documentos secretos, recentemente divulgados, dão conta de que os
grandes defensores da liberdade, Estados Unidos, Inglaterra e França
eram totalmente contra a reunificação da Alemanha, alegando que ela
colocaria em risco a suas hegemonias no mundo e na Europa, enquanto
essas mesmas nações, discursavam contra a sua manutenção.
Pois bem colegas, junto com o muro de Berlim, foram construídos vários
outros muros, muito mais altos, mais extensos e mais difíceis de serem
derrubados: o muro do medo, o muro da ignorância, o muro da alienação,
o muro da mídia, o muro das drogas, os muros e grades de nossas casas
e por fim, o muro do individualismo.
Esses muros não cairão por si só, assim como o muro de Berlim, teremos
que derrubá-los um a um.

José Antonio Martins Prestes