quarta-feira, 24 de junho de 2009

Série: A importância da corrupção e do crime organizado na política.

O crime organizado e o processo eleitoral

Apesar da sua importância no processo político-eleitoral, o assunto ainda é muito pouco conhecido nos meios acadêmicos e igualmente pouco discutido pelas pessoas de uma forma geral, chegando até mesmo a ser evitado, certamente por tratar-se de um tema muito desconfortável e desagradável para todos. O crime organizado é um dos fenômenos políticos mais importantes da atualidade; por sua abrangência, profundidade, e ascensão econômica e social.
Praticamente todas as instâncias de governo (municípios, estados e federação), todos os poderes públicos (legislativo, executivo e judiciário), todas as classes sociais e setores econômicos estão contaminados por atividades ou organizações criminosas.
Em várias regiões brasileiras, municípios, bairros e comunidades, o crime organizado chega a constituir-se em um poder paralelo ao poder oficial, assumindo funções próprias do Estado como assistência social, segurança e lazer, e em todos os municípios brasileiros o crime organizado gera empregos e distribui renda, através de suas atividades ilegais ou de fachada. Um bom exemplo desse fenômeno é o jogo do bicho.
Existem ainda algumas áreas onde o crime organizado é o único poder constituído e reconhecido por seus habitantes, especialmente nas regiões dominadas pelo tráfico de drogas.
Além da corrupção na política, que é uma modalidade específica de crime organizado e que foi tratada no tópico anterior, uma série de outras atividades criminosas como jogo do bicho, contrabando, pirataria, tráfico de pessoas, exploração sexual, turismo sexual, lavagem de dinheiro, remessa ilegal de divisas ao exterior e sonegação fiscal, são atividades do crime organizado, que sempre destinaram recursos para financiar os candidatos que defendem os seus interesses ou encobrem suas ações. Essas atividades envolvem tantas pessoas, empresas, entidades e interesses, que acabam por ser socialmente toleradas ou até mesmo aceitas.
O trafico de drogas é uma modalidade de crime organizado com abrangência e profundidade social, política e econômica espantosa. Os usuários estão em todas as classes sociais e os esquemas de contrabando, produção, fornecimento e distribuição, requerem uma estrutura organizacional cada vez mais profissional, muito numerosa e bem estruturada, administrativa, financeira e hierarquicamente.
Em função desses fatores, as bases operacionais do trafico de drogas estão montadas dentro de comunidades pobres (geralmente favelas e morros), que lhes oferecem a mão-de-obra e a proteção necessárias, em troca de “empregos, assistência social, segurança e lazer”, entre outras coisas.
Associado ao tráfico de drogas, via de regra, está o tráfico de armas, cada vez mais necessárias para a manutenção do poder dos criminosos, dentro e fora das comunidades onde atuam, e para a prática de outras modalidades de crimes, como seqüestros, assaltos, roubos de cargas, roubos de veículos, roubos a banco, entre outros.
Em muitas regiões e municípios brasileiros, o crime organizado se sofisticou e ultrapassou o limite do apoio financeiro e político àqueles candidatos simpáticos às suas atividades, passando a apoiar política e financeiramente, a candidatura de seus próprios membros aos mais diversos cargos públicos eletivos. Na esteira deste processo estão o ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Álvaro Lins e o ex-vereador da cidade do Rio Jerônimo Guimarães, que mesmo presos, continuam influentes no submundo e no comando do crime organizado.
José Antonio Martins Prestes

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