Embora a legislação eleitoral brasileira imponha regras e limites, e exija transparência nos atos e gastos dos candidatos, partidos e coligações nas campanhas eleitorais, a justiça eleitoral tem demonstrado muitas dificuldades e pouco interesse no cumprimento desta legislação, sejam por razões materiais, procedimentais, humanas ou até mesmo de vontade política. A independência e a autonomia do poder judiciário têm sucumbido aos interesses econômicos e políticos. A rapidez e a eficiência do Supremo Tribunal Federal, instância máxima do poder judiciário, ao analisar os pedidos de habeas corpus do banqueiro Daniel Dantas, por ocasião de suas prisões, na Operação Satiagraha da Polícia Federal; em detrimento à lentidão da justiça brasileira, demonstrou a absurda parcialidade dos agentes do judiciário no caso da corrupção em questão.Além da influência natural que os poderes (econômico e político) exercem sobre os agentes da justiça eleitoral, a contratação de advogados experientes e em geral muito eficientes, que se aproveitam das inúmeras brechas da lei, tem dificultado o combate à corrupção eleitoral no Brasil.
José Antonio Martins Prestes

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