Muitos cientistas que estudam os fatores climáticos de nosso planeta e suas consequências, vêm alertando a algumas décadas que a exploração irracional dos recursos naturais e a grande quantidade de poluição gerada pelas atividades humanas e lançadas no meio ambiente, estão alterando drasticamente nosso clima e trazendo consequências desastrosas para toda humanidade. Isto posto, podemos relacionar a tragédia que está ocorrendo em Santa Catarina neste momento, apesar de ter sido desencadeada pelas chuvas que castigaram a região litorânea do estado por mais de sessenta dias consecutivos, com estas alterações climáticas e consequentemente com a ação humana.No caso específico de Santa Catarina, pode se constatar que a grande maioria dos 116 mortos registrados até esta data (02/12), foram vítimas de deslizamentos de terra; esses deslizamentos na sua imensa maioria, foram provocados pelo desmatamento de florestas para o plantio ou para a construção de moradias em encostas e morros.
Quanto aos prejuízos e as mortes provocadas pelas enchentes, também pode-se notar a ação direta do homem na tragédia, na medida em que ocorre o desmatamento das margens dos rios e o assoreamento dos mesmos, a impermeabilização do solo e o entupimento de bueiros, fica difícil, senão impossível, evitar as enchentes em regiões mais baixas.
Não se trata de culpar os catarinenses, especialmente os das áreas mais atingidas, pelas causas e pelas consequências desta tragédia, tendo em vista que o comportamento dessa população não é diferente do comportamento da maioria das pessoas do resto do país ou do planeta, o fato ocorrido aqui poderia ter ocorrido em outras regiões com características climáticas e geográficas semelhantes, desde que esses mesmos fatores se alinhassem.
Os cientistas e também os ambientalistas alertam ainda que estas catástrofes se repetirão cada vez com mais frequência e com mais força, caso não revertamos urgentemente esse processo de destruição e de poluição promovido nos quatro cantos do planeta.
Afinal, quantas tragédias ainda serão necessárias para que nós mudemos a forma de nos relacionar com o nosso planeta e passemos a respeitar as suas limitações e as suas leis?
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José Antonio Martins Prestes

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