O balanço geral das eleições municipais confirmou a minha (triste) previsão de que o índice de renovação dos prefeitos e vereadores seria um dos menores dos últimos tempos. Para as prefeituras foram reeleitos 67% daqueles que já ocupavam os cargos e para as câmaras municipais o índice é praticamente o mesmo.No caso dos prefeitos isso se explica pela larga utilização da máquina pública e pela facilidade de financiamento de suas respectivas campanhas via corrupção, promovida por aqueles que detêm contratos com as prefeituras. Os candidatos de oposição tiveram muita dificuldade de financiamento externo (e ilegal) de suas campanhas em função do maior rigor da legislação e da fiscalização da justiça eleitoral. Isso evidentemente criou um profundo desequilíbrio na disputa, favorecendo os candidatos dententores dos cargos.
Quanto aos vereadores, a resolução do TSE que reduziu o número de cadeiras em muitos municípios brasileiros, favoreceu enormemente os vereadores que buscavam a reeleição, pois estes utilizaram e utilizam suas cadeiras nas câmaras, quase exclusivamente, para os seus objetivos políticos eleitorais. É evidente que os candidatos que não possuem mandato entraram na disputa eleitoral contando com essa desvantagem, mas a redução das cadeiras agravou muito esse desequilíbrio.
O baixíssimo índice de renovação dos prefeitos e vereadores refletiu também na não renovação dos partidos políticos que controlam o país, dentre os 27 partidos existentes, os quatro grandes partidos, PMDB, PSDB, DEM e PT e seus aliados, detiveram pelo menos 80 % dos cargos.
Outro fato interessante foi que os partidos se coligaram e se apoiaram em nível municipal, sem nenhum critério ideológico e totalmente independente de suas posições políticas em nível estadual ou nacional. Na prática o que contou para as composições foi exclusivamente os interesses locais e imediatos, como sempre.
Do ponto de vista da democracia, salvo raras exceções, o que prevaleceu foi a vontade popular, que demonstrou mais uma vez, o contentamento e o conformismo dos brasileiros com a prática do assistencialismo, da prestação de favores, da corrupção e da promiscuidade entre os partidos e os políticos.
Mais uma vez perdemos o bonde da mudança, agora vamos para 2010.
na foto: rosinha garotinho
José Antonio Martins Prestes

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