terça-feira, 9 de agosto de 2011

E agora? Qual é a saída?

Dilma Rousseff só chegou a presidência da república do Brasil por obra e graça de Lula. Num momento crítico de seu mandato. No auge da crise do mensalão do PT, Lula convocou Dilma para a Casa Civil, encarrego-a da gestão dos programas de governo. Com isso teve tempo e tratou de salvar a sua pele da enrascada em que se metera.

Com autonomia e muita competência gerencial, Dilma colocou ordem na casa enquanto Lula, a salvo da herança maldita dos seus amigos aloprados dedicou-se a fazer o que mais gostava e sempre teve muita competência: política. A dupla transformou-se num sucesso de público e de crítica e a reeleição foi inevitável.

No momento que a gerentona Dilma foi transformada na presidenciável, fez-se necessário que ela aprendesse com o mestre a arte da política. O esforço foi e está sendo muito grande, mas infelizmente não é uma questão de esforço e sim de vocação.

Quando a competente gestora saiu de cena para a entrada da política esforçada (mas medíocre), os resultados não demoraram a aparecer. Ainda na campanha presidencial, com a chefe ausente, sua fiel escudeira na Casa Civil, Erenice Guerra, tratou de montar um esquema para enriquecer amigos e parentes via tráfico de influência.

Dilma está agora totalmente refém deste nefasto presidencialismo de coalizão que troca apoio de bancada por ministério de porteira fechada. A corrupção tomou conta da administração federal e esta colocando novamente em risco a própria governabilidade. O principal item da agenda de muitos ministros e da própria presidente nos dias atuais tem sido dar explicações ou nomear substitutos para os auxiliares demitidos e/ou presos por corrupção. Xeque.

Num dos últimos debates presidenciais do primeiro turno a então candidata Marina Silva perguntou aos demais concorrentes se eles assumiriam o compromisso público de liderar como presidente eleito(a) uma reforma política séria, as respostas tanto de Serra quanto de Dilma foram o silêncio e a evasiva.

Alguém vai ter que descascar esse abacaxi e pagar o preço. Dilma Rousseff pode entrar para a história, não só como a primeira mulher a tornar-se presidente do Brasil mas, principalmente, por ter tido a coragem de fazer as reformas políticas e eleitorais que os seus antecessores não tiveram.

Este é o momento e esta é a oportunidade.

José Antonio Martins Prestes

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