De fato a campanha eleitoral de 2010 ainda não ganhou as ruas, e talvez não o faça, se restrinja ou priorize mais uma vês a grande mídia, especialmente a televisão, o que será uma pena. De uma forma geral, os presidenciáveis têm medo do contato direto com o povo, pois neles podem surgir constrangimentos ou situações inesperadas e não controladas, que quando bem aproveitadas pelos adversários, podem provocar grandes estragos em suas respectivas campanhas, por isso é melhor não arriscar.
O povo também não faz muita questão, entre participar de um evento político e ver a novela das oito, é claro que a segunda opção lhe será sempre mais atraente. O desgaste dos políticos junto a opinião pública tem contribuído muito para isso.
Dessa forma a produção de fantásticos vídeos mostrando os candidatos "playmobil"* e suas propostas baseadas em pesquisas de opinião pública, invadirão mais uma vez as telas das nossas televisões, exatamente no horário das novelas, para tentar ganhar a simpatia e o voto dos entediados eleitores. O resultado inevitável disso tudo é o empobrecimento ainda maior do processo político eleitoral e o descrédito da política junto à sociedade. É um círculo vicioso.
Na esteira deste sistema eleitoral ocorrerá também as eleições para Senadores e seus famigerados suplentes, para as Câmaras dos Deputados Federais e Estaduais e para Governadores de Estado e seus Vices. Estas outras eleições assumem um papel secundário e marginal, quase um pano de fundo da grande disputa pela presidência da república, em detrimento de sua importância na vida das pessoas e da inquestionável impotância das eleições legislativas. É preciso lembrar que vivemos um regime "sui generis" de presidencialismo de coalizão. Quem se eleje presidente sem maioria no congresso, tem que compor essa maioria depois das eleições: até agora o sistema mais conhecido e praticado é a corrupção.
O chamado período eleitoral compõem-se de uma “over-dose” de nomes, propostas, programas, críticas, mentiras, xingamentos e dossiês, que não servirão para outra coisa se não para confundir e afastar ainda mais os cidadãos da necessária e urgente discussão política.
Para complicar ainda mais essa situação quase insuportável, virão os partidos, com seus líderes, seus slogans, suas cores, suas bandeiras e logotipos, muito bem feitos; mas sem nenhuma coerência programática ou ideológica, salvo as pouquíssimas exceções que só servem para confirmar a regra. Veremos repetir por exemplo, situações onde partidos coligados no plano nacional sejam inimigos em determinados estados. Essa aberração também ocorrerá entre as eleições majoritárias e proporcionais, onde as legendas novamente se coligarão de formas diferentes e até contraditórias nesses dois planos.
Dessa forma continua difícil para o cidadão comum entender o processo, e se ele não entende certamente não gosta; se ele não gosta não participa. Daí para a rejeição ou para a aversão á política, aos políticos e ao processo eleitoral é um pulinho.
A grande pergunta que se faz é: o que fazer para inverter essa situação? A resposta sugerida aqui é que somente uma reforma na lei eleitoral e no sistema de representação política, ampla e profunda, feita pela sociedade, através de uma assembléia constituída democrática e especificamente para esse fim, cujos representantes eleitos não sejam os políticos atuais (pessoas que ocupam ou que ocuparam cargos políticos eleitorais nos últimos dez anos estariam empedidas de participar), e os que dela participarem se tornariam inelegíveis pelos próximos 10 anos.
Essa é apenas uma sugestão, dentre tantas outras que podem ser apresentadas e que deveriam ser discutidas nas escolas, nas universidades, nas igrejas, nas entidades de classe, nas ong’s, enfim, pela população em geral, para isso, a sociedade civil deve se manifestar, do contrário, o círculo vicioso aqui apresentado continuará a produzir e a reproduzir políticos corruptos e/ou incompetentes, comprometidos consigo mesmos ou com seus grupos de apoio. Esse processo político continuará a sustentar a realidade de sermos um país cada vez mais desenvolvido economicamente e injusto socialmente.
Por absurdo e contraditório que possa parecer, o ponto de partida deste processo só poderá ser dado pela pequena parcela de políticos decentes e bem intencionados, que certamente ainda existe dentro dessa enorme podridão. E deverá ser suportado, por uma nova classe política, que de acordo com a sugestão apresentada, terá dez anos para se preparar para construir uma nação mais justa e equilibrada, capaz de fazer valer as expectativas de vivermos num Brasil efetivamente de todos e para todos.
*Candidatos “playmobil”: candidatos perfeitos.
José Antonio Martins Prestes
sábado, 8 de maio de 2010
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Olá osé Antonio, tudo bem com você e a família?
ResponderExcluirMais uma vez nosso pensamento coincide.
Certa vez lhe enviei um e-mail sobre o voto nulo, sempre fui contra ois realmente favorece exatamente os corruptos, incompetentes e aos bandidos.
Recentemente recebí um e-mail informando sobre uma eleição que ocorreu na cidade de Bom Jesus de Itabapuana no Rio de Janeiro, onde 89,23% dos eleitores anularam seu votos e com isto obrigaram a convocação de novas eleições sem a participação dos candidatos rejeitados(estou lhe enviando o e-mail com este fato), não seria esta a solução que deveríamos adotar?
A propósito, sua matéria está muito bem colocada, é um ótimo alerta para quem realmente se preocupa com mudanças positivas para a nossa sociedade, parabéns!
Abraços, bom fim de semana!
Valdemir.